PF prende ex-prefeito e investiga prefeita de Iracema por compra de votos

Redação Portal Norte

A Polícia Federal (PF) deflagrou nesta sexta-feira (1) a Operação Voto de Cabresto para investigar crimes eleitorais nas eleições municipais de 2024 em Roraima. A ação prendeu em flagrante o ex-prefeito de Iracema, Jairo Ribeiro (Republicanos), e cumpriu dez mandados em Iracema e Boa Vista.

Um morador flagrou a prisão de Jairo – Vídeo: Reprodução / Internet

Além do ex-gestor, a atual prefeita de Iracema, Marlene Saraiva (Republicanos), também foi alvo da operação. Agentes da PF vasculharam endereços ligados aos dois políticos.

Durante o cumprimento dos mandados, a polícia localizou indícios suficientes para prender Ribeiro por corrupção eleitoral, associação criminosa e lavagem de dinheiro.

A PF prendeu outro investigado, ainda não identificado, por posse irregular de munições, mas deve liberá-lo mediante pagamento de fiança.

Esquema envolvia PIX, empresas de fachada e coerção de eleitores

As investigações revelam um esquema sofisticado de compra de votos. Segundo a PF, os investigados repassaram cerca de R$ 400 mil a aliados por meio de empresas de fachada e transferências via PIX.

Além disso, os investigados pagavam eleitores em dinheiro e os forçavam a filmar o voto, violando o sigilo e comprometendo a eleição.

Lei sancionada por prefeita beneficiou ex-gestor investigado

O ex-prefeito Jairo Ribeiro, agora investigado, foi um dos principais cabos eleitorais da prefeita Marlene Saraiva nas eleições de 2024. Após assumir o cargo, Marlene sancionou a Lei nº 543/2025, que garantiu segurança pessoal financiada com recursos públicos para ex-prefeitos.

Assim a prefeita garantiu um benefício específico ao oferecer motoristas e até três seguranças a ex-gestores que comprovassem ter sido alvos de atentados sem conclusão de inquérito.

Ribeiro se encaixava nos critérios porque levou tiros nos braços e no peito em 2018, em circunstâncias que a polícia ainda não esclareceu.

Operação busca preservar integridade do processo eleitoral

A Polícia Federal reforçou que a operação tem como objetivo coibir práticas que comprometem a lisura das eleições e proteger a legitimidade das instituições democráticas. Portanto, as investigações seguem em andamento, e novas fases da operação não estão descartadas.