O governador de Rondônia, Marcos Rocha, exonerou o vice-governador Sérgio Gonçalves do cargo de secretário de Estado do Desenvolvimento Econômico (Sedec), em meio a uma crise política que ganhou contornos públicos.
A exoneração foi publicada no Diário Oficial do Estado na última segunda-feira (7) e anunciada por Rocha durante entrevista a uma emissora local.
A justificativa dada pelo governador vai além de uma reestruturação de governo: segundo ele, enquanto cumpria agenda oficial em Israel, durante o início do conflito armado entre Israel e Irã, surgiram articulações internas para que ele perdesse o mandato.
“O cargo ficaria vago e o vice-governador assumiria. E isso é triste, quando a gente vê que é alguém que eu ajudei”, afirmou Rocha.
Viagem a Israel foi estopim para ruptura
De acordo com Marcos Rocha, o que se esperava era apoio institucional durante a missão internacional.
No entanto, o governador de Rondônia diz ter sido surpreendido por movimentos contrários vindos de dentro da própria estrutura de governo, supostamente ligados ao seu vice.
A declaração pública escancarou uma ruptura política até então contida nos bastidores, resultando na saída de Sérgio Gonçalves da Sedec, pasta estratégica responsável pela atração de investimentos, fomento à economia e geração de emprego em Rondônia.
Novo nome assume a Sedec
Para o lugar de Gonçalves, o governador nomeou Lauro Fernandes da Silva Junior, que até então atuava como diretor técnico-operacional da Caerd (Companhia de Águas e Esgotos de Rondônia).
A nomeação foi oficializada na mesma edição do Diário Oficial que trouxe a exoneração do vice.
A troca no comando da Sedec é considerada relevante por envolver uma das secretarias-chave do desenvolvimento estadual, especialmente em um momento em que o governo busca recuperar a estabilidade política e econômica.
Vice continua no cargo, mas com estrutura reduzida
Apesar de exonerado da função de secretário, Sérgio Gonçalves segue como vice-governador, função para a qual foi eleito junto com Marcos Rocha em 2022.
No entanto, a partir de agora, ele atuará com estrutura administrativa reduzida no Palácio Rio Madeira, sede do governo estadual.
A permanência formal no cargo contrasta com o afastamento prático das decisões centrais da gestão — evidência de que a crise política no topo do Executivo rondoniense ainda está longe de ser resolvida.
Até o momento, Sérgio Gonçalves não se pronunciou publicamente sobre a exoneração nem sobre as declarações feitas por Marcos Rocha.
A expectativa é que o episódio gere novos desdobramentos políticos nos próximos dias, especialmente caso o vice decida responder às acusações.