O secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, celebrou o fim da USAID (Agência dos Estados Unidos para o Desenvolvimento Internacional) na terça-feira (1). No entanto, um estudo recente da Lancet sugere que a dissolução da agência pode resultar em 14 milhões de mortes nos próximos cinco anos.
A pesquisa indica que os cortes no financiamento de saúde, como HIV/AIDS e malária, podem ter um impacto similar ao de uma pandemia global ou grande conflito armado.
“Nossas estimativas mostram que, a menos que os cortes abruptos de financiamento anunciados e implementados no primeiro semestre de 2025 sejam revertidos, um número alarmante de mortes evitáveis poderá ocorrer até 2030”, aponta o estudo.
Impactos do desmantelamento
Grupos humanitários expressaram preocupações sobre o rápido desmantelamento da USAID e o congelamento de ajuda.
Em contrapartida, o Departamento de Estado defendeu a mudança e afirmou que direcionará os recursos para iniciativas comerciais e de investimento, com foco na eficiência. O secretário disse que, sob Trump, os EUA priorizarão seus interesses nacionais e desconsiderou os dados apresentados, alegando suposições erradas.
O fechamento da USAID gerou a perda de milhares de empregos e teve um impacto direto nas operações humanitárias em todo o mundo. Ainda assim, a reestruturação está sendo observada de perto por parlamentares e especialistas em assistência internacional.
Em Roraima
Roraima sentiu diretamente os cortes de Trump na ajuda humanitária, com prejuízos ao atendimento de refugiados venezuelanos. Sem verbas da OIM e do ACNUR, centros como o Sumaúma, que servia 1.800 refeições por dia, fecharam.
O Unicef também reduziu ações de saúde e nutrição, priorizando apenas casos graves. A resposta do governo brasileiro não foi suficiente para conter os efeitos sobre as comunidades mais vulneráveis.