O Supremo Tribunal Federal (STF) começou a votar, nesta sexta-feira (21), a denúncia contra Débora Débora Rodrigues dos Santos, acusada de pichar a frase “Perdeu, mané” na estátua da Justiça durante os atos golpistas.
A frase foi dita pelo presidente do Supremo, Luís Roberto Barroso, em novembro de 2022, após ser importunado por apoiadores do ex-presidente Bolsonaro durante um evento em Nova York, nos Estados Unidos.
Débora está presa pela acusação de participação nos atos golpistas de 8 de janeiro de 2023.
Alexandre de Moraes foi o primeiro a votar para condená-la a 14 anos de prisão em regime fechado.
O voto do ministro, que é relator do caso, foi proferido no julgamento virtual no qual a Primeira Turma da Corte julga a ação penal.
Acusações
Débora responde pelos crimes:
- tentativa de golpe de Estado;
- abolição violenta do Estado Democrático de Direito;
- dano qualificado;
- deterioração do patrimônio tombado e
- associação criminosa armada.
“A ré Debora Rodrigues dos Santos confessadamente adentrou à Praça dos Três Poderes e vandalizou a escultura ‘A Justiça’, de Alfredo Ceschiatti, mesmo com todo cenário de depredação que se encontrava o espaço público”, escreveu Moraes na decisão.
O julgamento virtual vai até a próxima sexta-feira (28).
Faltam os votos dos ministros Cristiano Zanin, Flávio Dino, Luiz Fux e Cármen Lúcia.
Reação de Bolsonaro
O voto de Moraes gerou desaprovação do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), que afirmou que esta sexta-feira (21) é “um dia muito triste”, apesar de ser a data do aniversário dele.
“No primeiro voto no plenário virtual, Alexandre de Moraes começa condenando Débora, aquela senhora que tem dois filhos pequenos que usou seu batom, a 14 anos de cadeia. Isso é desumano, é desrazoável, é inacreditável. Mas devemos lutar, persistir”, lamentou em vídeo publicado nas redes sociais.
O ex-presidente aproveitou o ocorrido para chamar apoiadores para nova manifestação que pede a anistia dos envolvidos no ato golpista 8 de janeiro.
“Eu quero convidar todos vocês agora, para que no dia 6 de abril, às 14h, na Paulista, mais um ato por liberdade de expressão, pelo que resta da nossa democracia e pela anistia dos reféns do dia 8 de aneiro. Vamos resgatar o nosso Brasil”, convidou Bolsonaro.