Em pleno Carnaval, o Brasil ficou ainda mais animado após a conquista de Walter Salles, diretor do filme “Ainda Estou Aqui”, no Oscar deste ano. Entre os que não comemoraram, porém, está a família Bolsonaro.
Por meio de uma publicação no X (antigo Twitter), o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP) chamou Salles de “psicopata cínico” e acusou o cineasta de legitimar o “regime instaurado pelo Alexandre de Moraes”.
No texto, o deputado minimiza a história de Rubens Paiva e diz que o filme trata de uma “ditadura inexistente”.
Ele afirma ainda que Salles faz reclamações mentirosas sobre o governo norte-americano. Isso porque o diretor disse em entrevista recente que o filme foi aclamado nos Estados Unidos porque a população de lá se identificou com o retrato histórico descrito no longa.
“Se qualquer brasileiro fizer essa mesma crítica ao regime instaurado pelo Alexandre de Moraes, que Walter Salles aplaude e legitima, estaria com certeza na cadeia “gozando de todos o esplendor da democracia da esquerda”. Deve ser realmente muito difícil viver na ditadura americana”, finalizou.
Ainda Estou Aqui e a ditadura brasileira
“Ainda Estou Aqui” recebeu indicações em três categorias: Melhor Filme, Melhor Filme Internacional e Melhor Atriz, com Fernanda Torres.
O longa conta a história de Eunice Paiva, narrada por seu filho, Marcelo Rubens Paiva, sobre sua trajetória durante a ditadura militar no Brasil. Em 1970, a vida de Eunice, dona de casa casada com Rubens Paiva, um político influente, muda drasticamente.
Forças do regime militar capturam seu marido e ele desaparece. Logo, Eunice abandona sua rotina doméstica e, aos poucos, transforma-se em uma ativista de direitos humanos. Por fim, determinada a descobrir o destino do marido, ela enfrenta o governo e desafia a repressão brutal da época.
Em entrevista a Leo Dias, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) também se manifestou sobre o filme. Ele criticou uma fala de Fernanda Torres sobre não ser possível produzir o filme durante a sua gestão.
“Ela (Fernanda Torres) falou que no meu governo não faria aquele filme, não faria porquê? [Falou que] não seria possível fazer aquele filme. Não seria possível porquê? Eu proibi a alguém de fazer alguma coisa? Eu cacei a concessão de alguém?”, questionou Jair rebatendo fala da atriz.