Após troca ministerial, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ainda não decidiu quem irá substituir Alexandre Padilha no cargo de ministro das Relações Institucionais.
O cargo é responsável pela interlocução do governo com o Congresso Nacional.
Alexandre Padilha foi remanejado para o Ministério da Saúde no lugar da ministra Nísia Trindade.
A alteração foi justificada por uma melhoria na relação entre os poderes. Lula tem o objetivo de realizar uma “mudança de perfil” à frente da pasta, visando a eleição de 2026.
Embora aliados defendam que Padilha foi muitas vezes desautorizado pelo próprio Planalto, o governo busca alguém que consiga alinhar as demandas do Congresso.
No entanto, a escolha de Lula não é livre de tensões. Padilha acumulou críticas nos dois primeiros anos do governo e inclusive era publicamente criticado pelo ex-presidente da Câmara, Arthur Lira.
Cotados
O mais esperado é que o escolhido para o cargo de Relações Institucionais siga na pasta do Partido dos Trabalhadores (PT).
Veja a seguir os nomes cotados para o cargo:
- Gleisi Hoffmann (PT)
A presidente do PT foi um dos primeiros nomes cotados por ser de confiança de Lula. A relação dos dois remonta aos tempos da Operação Lava Jato, quando Gleisi assumiu a presidência do partido.
Ela tem acesso ao presidente e proximidade com grande parte dos ministros. No entanto, o nome é mais rejeitado pelo centrão e pela base-não petista.
O mais provável é que Gleisi assuma a Secretaria-Geral da Presidência, outra vaga no Palácio do Planalto, no lugar de Márcio Macêdo.
- José Guimarães (PT)
O líder do governo na Câmara tem a confiança de Lula e boa interlocução com centrão e oposição, incluindo o atual presidente da Casa, Hugo Motta (Republicanos-PB).
Além disso, José Guimarães é próximo do ex-presidente da Câmara, sendo chamado de “homem do Arthur Lira” nos bastidores do Planalto.
Há uma certa resistência a seu nome à esquerda.
- Jaques Wagner (PT)
Líder do governo no Senado, é amigo pessoal de Lula e considerada uma das poucas pessoas que “mandam a real” ao presidente.
Também tem uma boa circulação entre centrão e oposição, além de ser considerado um dos políticos mais experientes do Congresso.
Contudo, o senador tem resistido à proposta desde a vitória nas eleições e, hoje, tanto ele quanto aliados argumentam que o principal problema do governo é na Câmara, não no Senado.
- Isnaldo Bulhões (MDB)
Líder do MDB na Câmara, o deputado é próximo ao governo e apadrinhado pela família Calheiros.
Ele é visto como uma opção diferente por não ser petista. A “petização” do governo é uma reclamação frequente entre os parlamentares.
Mas é justamente por não ser do PT, que ele enfrenta resistência à esquerda.
E embora seja apoiador, não é tão próximo de Lula, o que dificulta o trânsito intenso no palácio que a pasta requer.
Outra opção cogitada para Isnaldo é a liderança do governo.
Reforma ministerial
A troca de Nísia Trindade por Alexandre Padilha no Ministério da Saúde foi confirmada nesta quarta-feira (26).
Desde a semana passada, a demissão da ministra já circulava entre os bastidores do governo.
Lula planeja acomodar Nísia Trindade em um organismo internacional de relevância no setor da saúde.
No primeiro pronunciamento após a mudança, Padilha avalia que fortalecer o Sistema Único de Saúde (SUS) devem ser prioridade na sua gestão à frente da pasta.
Auxiliares do presidente dizem que as mudanças ministeriais só devem ser concluídas após o Carnaval.
Segundo o Palácio do Planalto, Nísia Trindade fica no cargo até 6 de março, quando Alexandre Padilha, atual ministro das Relações Institucionais, retornará ao comando do Ministério da Saúde.
O mesmo posto foi ocupado por ele durante o governo de Dilma Rousseff (PT).
*Com informações do Uol