O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) declarou nesta terça-feira (25) que o tenente-coronel Mauro Cid, seu antigo ajudante de ordens, foi “torturado” para incriminá-lo durante as investigações do inquérito que apura a tentativa de golpe de Estado. A afirmação foi feita em entrevista ao site de Léo Dias.
Bolsonaro afirmou que não julga Cid e destacou que se coloca no lugar dele, mencionando que não faria nenhuma acusação contra o ex-ajudante de ordens.
“Cid foi obrigado a falar certas coisas, e eu me coloco no lugar dele”, disse.
A declaração veio após a Procuradoria-Geral da República (PGR) denunciar o ex-presidente e outros 33 envolvidos pela tentativa de golpe. A PGR também acusou o grupo de abolição violenta do Estado Democrático de Direito e organização criminosa.
“Ele (Cid) foi torturado. O vídeo (do depoimento com Alexandre de Moraes), se você ver… O que é pela lei uma delação premiada? Você começa a firmar a sua qualificação e termina a filmagem quando tá encerrado. Meus advogados pediram (acesso ao depoimento), ele (Cid) esteve 11 vezes depondo, pedimos todos os vídeos do começo ao fim, sem cortar. Em todos esses vídeos, você vê o ‘dono do inquérito’ falando: ‘Você tem um pai, uma mãe, uma filha’, (é) tortura, tortura psicológica”.
O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), retirou o sigilo da delação de Mauro Cid, revelando detalhes das investigações.

Bolsonaro explica relacionamento com Mauro Cid
Durante a entrevista, Bolsonaro relatou que não teve contato com Cid desde que viajou para os Estados Unidos, em dezembro de 2022.
Ele explicou que Mauro Cid ganhou influência devido às responsabilidades do cargo, mencionando que muitas pessoas procuravam Cid para resolver questões ligadas à sua agenda.
O ex-presidente afirmou que não escolheu Mauro Cid para a função de ajudante de ordens e mencionou que o tenente-coronel teria “se empolgado” com as atribuições recebidas.
Veja a entrevista completa:
Delação de Mauro Cid
Na delação divulgada na quinta-feira (20), Mauro Cid revelou que setores do agronegócio financiaram acampamentos em frente a quartéis após as eleições de 2022, exigindo uma tentativa de golpe de Estado.
De acordo com Cid, o tenente Aparecido Portela (PL-MS) o pressionou por um posicionamento sobre o tema. Em 26 de dezembro de 2022, Portela enviou uma mensagem perguntando se o “churrasco seria feito”, referindo-se ao golpe como “churrasco” e ao dinheiro como “carne”.
A PGR incluiu na denúncia militares de alta patente, como Walter Braga Netto, ex-ministro da Casa Civil e da Defesa, e Mauro Cid, detalhando um esquema de organização criminosa para desestabilizar o Estado Democrático de Direito, do que Bolsonaro tinha conhecimento.