Lideranças dos países do Brics se reuniram, nesta terça-feira (25), no Palácio Itamaraty, para discutir as prioridades do bloco sob a presidência brasileira.
O ministro das Relações Exteriores do Brasil, Mauro Vieira, abriu a primeira reunião de 2025, destacando o crescimento de políticas protecionistas no campo econômico.
Para ele, o o bloco de potências emergentes seria uma alternativa para a promoção da nova ordem mundial.
“Políticas protecionistas, fragmentação comercial, barreiras não econômicas e a reconfiguração das cadeias de suprimentos ameaçam aprofundar as desigualdades globais. O Brics deve resistir a essa fragmentação e advogar por um sistema de comércio multilateral aberto, justo e equilibrado”, defendeu o chanceler brasileiro.
Mauro Vieira destacou que o bloco incorpora as aspirações do Sul Global e defendeu as pautas históricas da organização, como a promoção de mecanismos financeiros alternativos; a reforma das instituições multilaterais de governança global e a expansão do uso de moedas locais.
O governo brasileiro elencou seis prioridades para as discussões do grupo. São elas:
- Cooperação Global em Saúde;
- Comércio, Investimento e Finanças;
- Combate às Mudanças Climáticas;
- Governança de Inteligência Artificial;
- Reforma do Sistema Multilateral de Paz e Segurança;
- Desenvolvimento Institucional do Brics.
Inteligência artificial
Uma das prioridades da agenda do Brics deste ano é a necessidade de se construir uma governança global da inteligência artificial (IA), que evite o uso da ferramenta para ampliar as desigualdades no mundo.
“[A IA] não pode ser ditada por um punhado de atores enquanto o resto do mundo é forçado a se adaptar a regras que eles não tiveram papel na formação. Devemos defender uma abordagem multilateral, que garanta que o desenvolvimento da inteligência artificial seja ético, transparente e alinhado com o interesse coletivo da humanidade”, destacou Mauro Vieira.
Comércio e clima
Outra prioridade citada é o fortalecimento do comércio entre seus membros para “aumentar os fluxos comerciais, explorando medidas de facilitação do comércio e estimulando instrumentos de pagamento em moedas locais”.
O chanceler brasileiro ainda criticou a falta de financiamento para a adaptação e mitigação das mudanças climáticas nos países do Sul Global.
“A justiça climática deve estar no centro das discussões internacionais, garantindo que as nações em desenvolvimento tenham a autonomia e os recursos necessários para fazer a transição para economias de baixo carbono sem sacrificar suas metas de desenvolvimento”, refletiu.
Presidência brasileira
O Brasil assumiu a presidência do Brics neste ano em meio à expansão do bloco, que passou a ter a Indonésia como membro permanente, além de outros nove membros parceiros.
Segundo o chanceler Mauro Vieira, hoje o Brics representa quase metade da população global, tem 39% do Produto Interno Bruto (soma dos bens e serviços produzidos, PIB) do planeta e é responsável por 50% da produção de energia no mundo.
A primeira reunião de sherpas (como são chamados os negociadores) vai até quarta-feira (26) e inaugura o ciclo de encontros que antecede a cúpula de chefes de Estado, marcada para 6 e 7 de julho, no Rio de Janeiro.
*Com informações da Agência Brasil