Determinação de Trump fecha unidades de ajuda humanitária em Roraima, que atendiam migrantes e refugiados em situação de rua nas cidades Boa Vista e Pacaraima.
O fechamento aconteceu após o presidente dos Estados Unidos determinar suspensão de repasses de fundos para ajuda humanitária, na última sexta-feira (24) e envolveu as operações humanitárias em Manaus.
Cáritas interrompe serviços essenciais
A medida afeta diretamente os serviços que a organização vinha oferecendo desde 2019, incluindo duchas, banheiros, lavanderia, fraldários e fornecimento de água potável.
Os espaços atendiam a uma média diária de migrantes que buscavam serviços essenciais. Sem o apoio desses locais, milhares de pessoas que dependiam desses serviços estarão, a partir de agora, sem acesso a condições mínimas de dignidade.
Além disso, a instituição também oferecia 2 mil refeições para a população em situação de rua através do projeto “Sumaúma: Nutrindo Vidas.”
Durante o período de suspensão, o Departamento de Estado Americano revisará todos os programas de ajuda em andamento para garantir que estejam alinhados aos interesses de política externa do governo Trump.
Pronunciamento da rede CLAMOR
A Cáritas Brasileira informou que a paralisação dos serviços será por tempo indeterminado, já que o fechamento das unidades segue a decisão do governo dos EUA, com a suspensão por 90 dias.
Por meio de nota divulgada na última quarta-feira (22), a rede CLAMOR, responsável pela Cáritas, expressou preocupação com as medidas do presidente estadunidense.
A rede destacou que continuará buscando alternativas para minimizar o impacto da suspensão dos repasses e continuar a missão humanitária.
“Como Rede Clamor, reafirmamos nosso compromisso de trabalhar pela defesa dos direitos humanos de migrantes, pessoas deslocadas, solicitantes de asilo, refugiados, apátridas e vítimas de tráfico de pessoas”, anuncia.
Por fim, a organização enfatizou o pedido para as autoridades adotarem políticas migratórias que respeitem os direitos humanos fundamentais e que promovam inclusão e solidariedade.
Operação Acolhida é afetada
A Organização Internacional para as Migrações, responsável pela Operação Acolhida declarou, por meio de nota à imprensa, que estão cientes da decisão de Trump que afetará Roraima e outros estados.
Além disso, a OIM afirmou que estão analisando os impactos que a determinação irá causar. No entanto, afirmaram comprometimento com diálogo construtivo com as lideranças dos Estados Unidos e do Brasil para destacar os benefícios da colaboração.
“Estamos cientes da decisão do governo dos EUA de suspender todos os financiamentos de assistência externa e estamos cumprindo todas as ordens legais, assim como fazemos com todas as diretrizes de nossos Estados-membros. Embora continuemos a analisar os impactos dessa ação, a OIM tem um histórico de longa data de colaboração com uma ampla variedade de governos de nossos Estados-membros ao redor do mundo. Como um dos membros fundadores da OIM, os EUA têm sido um parceiro fundamental, e trabalhamos com todas as administrações desde a nossa fundação. Continuamos comprometidos com o diálogo construtivo com as lideranças dos EUA e do Brasil para destacar os benefícios mútuos da colaboração.”