Trump suspende recursos de agência da ONU que ajuda refugiados e migrantes em Manaus

Redação Portal Norte

O governo do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, suspendeu o repasse de recursos destinados à ajuda humanitária para uma agência da Organização das Nações Unidas (ONU) que presta assistência a migrantes em Manaus.

Com esse corte, os serviços humanitários da entidade no Amazonas e em outros quatro estados da região Norte estão bloqueados.

De acordo com a agência da ONU, na última segunda-feira (20), Trump ordenou a suspensão imediata da utilização de fundos de assistência humanitária, especialmente os do Bureau de População, Refugiados e Migração (PRM) e da Agência dos Estados Unidos para o Desenvolvimento Internacional (USAID).

Ajuda humanitária é impactada após decisão de Trump – Foto: Daniel Boechat

Durante o período de suspensão, inicialmente de 90 dias, o Departamento de Estado Americano realizará uma revisão de todos os programas em andamento para assegurar que a ajuda esteja alinhada aos objetivos de política externa do governo Trump.

No último sábado (25), outra medida do governo Trump também impactou Manaus. Um grupo de brasileiros deportados dos Estados Unidos desembarcou na capital amazonense. A aeronave, com destino final em Belo Horizonte, realizou uma escala em Manaus devido à necessidade de manutenção. Os brasileiros estavam algemados e com os pés acorrentados.

Medida de Trump afeta o desenvolvimento

O governador do Amazonas, Wilson Lima, manifestou preocupação com os impactos da decisão de Donald Trump de cortar a verba destinada à agência da ONU em Manaus.

Recebemos essa notícia com muita preocupação, porque essa ajuda é significativa, e temos uma demanda muito grande de venezuelanos devido à crise na Venezuela”, declarou o governador.

Como resultado da decisão, Wilson Lima se reuniu com a Secretaria de Justiça, Direitos Humanos e Cidadania (Sejusc) para avaliar os impactos. Segundo ele, a medida compromete bilhões de dólares destinados ao financiamento de programas globais de saúde, desenvolvimento e ajuda humanitária.

“Ontem mesmo já estava reunido com a secretária de Justiça e Cidadania, Jussara Pedrosa, para planejar ações que garantam a continuidade dos serviços prestados em Manaus. Também esperamos que outros países mantenham seu apoio financeiro, permitindo que essas pessoas recebam o mínimo de dignidade”, afirmou Lima.

Funcionários dispensados em Manaus

Além disso, a suspensão também afetou profissionais que atuavam nos programas humanitários. Segundo informações, funcionários do escritório localizado no Pronto Atendimento ao Cidadão (PAC) da Compensa, na Zona Oeste de Manaus, foram dispensados nesta segunda-feira (27).

Impactos

A Organização Internacional para as Migrações (OIM) informou que a paralisação de 90 dias deverá deixar milhares de migrantes sem acesso à regularização migratória para residência temporária no Brasil, privando os migrantes de serviços de saúde e alimentação.

Os cortes de verbas impactam diversas áreas, como:

  • Regularização migratória e assistência humanitária;
  • Proteção e saúde;
  • Interiorização e movimentos humanitários;
  • Combate ao tráfico de pessoas e contrabando de migrantes;
  • Apoio técnico e assessoria em políticas de integração.

“Hoje, 60% dos recursos da OIM no Brasil vêm dos Estados Unidos. A suspensão parcial das atividades representa um grande desafio para o gerenciamento da crise humanitária, afetando diretamente a infraestrutura e os recursos humanos necessários à manutenção dos serviços”, destacou a agência.

Em nota, a OIM, agência da ONU em Manaus, reafirmou seu compromisso em dialogar com o Governo Federal e autoridades sobre a decisão de Trump.

“Seguiremos empenhados em proteger pessoas em movimento e promover uma migração ordenada e digna, beneficiando tanto os migrantes quanto as comunidades que os acolhem”, afirmou a entidade.

Justificativas do Governo Trump

No entanto, a administração Trump justificou a suspensão afirmando que a “indústria de ajuda externa e a burocracia dos EUA não estão alinhadas com os interesses americanos e, em muitos casos, contrariam seus valores”.

De acordo com o secretário de Estado, Marco Rubio, a assistência deve ser avaliada com base em três perguntas: “Isso torna a América mais segura? Isso torna a América mais forte? Isso torna a América mais próspera?”

Em resumo, a revisão dos programas de ajuda será conduzida nos próximos meses para decidir se a assistência será retomada ou encerrada definitivamente.