Em entrevista à Folha de S. Paulo divulgada hoje (17), a ministra dos Direitos Humanos, Macaé Evaristo, criticou a formação atual das forças policiais no Brasil, destacando a necessidade de uma reestruturação.
Segundo ela, as forças de segurança ainda enxergam o cidadão brasileiro como um “inimigo”, o que impacta negativamente a relação entre a polícia e as comunidades.
“A segurança pública é direito de todos, por isso precisa ter participação ampla. Muitas vezes, esse debate é capturado somente pela corporação. É importante ouvir as comunidades, ouvir os bairros e as associações comunitárias”, afirmou a ministra.
Macaé também reforçou a necessidade de uma reformulação na abordagem policial, destacando que, além de ser uma questão de segurança, a reforma na formação dos policiais deve considerar a cidadania.
“Há uma incorreção na formação das nossas forças policiais, ela não olha para cidadão brasileiro como cidadão. Olha como inimigo”, disse ela, reiterando a importância de uma abordagem mais humanizada no treinamento das forças de segurança.
A ministra ainda mencionou que o Ministério dos Direitos Humanos está disposto a contribuir com o debate sobre a reformulação da segurança pública e garantir uma perspectiva mais inclusiva e justa.
“Nós gostaríamos e queremos muito sentar na mesa para debater a formação dos policiais. E temos com o que contribuir. Nós queremos participar, esse é o recado”, afirmou.
Por fim, Macaé Evaristo destacou sua visão de direitos humanos, buscando romper com a ideia de que esse tema é apenas para defender criminosos.
“A marca que eu gostaria de deixar no ministério é trazer a sociedade brasileira para refletir sobre o que é direitos humanos e sair de uma visão, para mim muito restrita e que foi construída, de que direitos humanos é uma pauta para defender bandidos”, concluiu a ministra.
Fonte: Folha de S. Paulo