O colapso do Banco Master, alvo de uma investigação que apura fraudes bilionárias, tornou-se um dos episódios mais sensíveis do cenário político e institucional brasileiro recente.
O caso ganhou ainda mais repercussão ao envolver o nome do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes, em meio a questionamentos sobre possíveis conflitos de interesse.
Expansão acelerada e contrato jurídico
Entre 2022 e 2023, o Banco Master ampliou de forma significativa sua atuação no mercado financeiro, sustentando seu crescimento principalmente na emissão e negociação de títulos de crédito. Nesse mesmo período, a instituição firmou um contrato de prestação de serviços jurídicos com o escritório Barci de Moraes, que tem como sócia Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro Alexandre de Moraes.
Irregularidades sob investigação
Em 2024, órgãos de controle passaram a identificar inconsistências contábeis e indícios de fraudes nas operações do banco. Diante dos alertas, o Banco Central intensificou a fiscalização e deu início a análises mais aprofundadas sobre a real situação financeira da instituição.
Tentativa de socorro e alertas técnicos
No início de 2025, o Banco Master tentou viabilizar uma negociação societária com o Banco de Brasília (BRB) como alternativa para evitar um colapso financeiro. A operação foi submetida à análise do Banco Central, mas técnicos da autarquia apontaram inconsistências e riscos relevantes, o que travou o avanço da negociação.
Contatos institucionais sob questionamento
Reportagens publicadas ao longo de 2025 revelaram que o ministro Alexandre de Moraes manteve contatos institucionais com o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, no mesmo período em que o futuro do Banco Master estava em avaliação.
As conversas passaram a ser questionadas publicamente, levantando suspeitas de possível interferência indevida. O ministro, no entanto, negou qualquer atuação em favor da instituição financeira.
Operação Compliance Zero e liquidação do banco
Em novembro de 2025, a Polícia Federal deflagrou a Operação Compliance Zero, que investiga um esquema de fraudes bilionárias envolvendo o Banco Master. Pouco depois, o Banco Central decretou a liquidação extrajudicial da instituição. O controlador do banco, Daniel Vorcaro, e outros executivos foram presos.
Repercussão do contrato e crise institucional
Com o avanço das investigações, vieram a público detalhes do contrato milionário firmado entre o Banco Master e o escritório de advocacia ligado à esposa de Alexandre de Moraes. As informações intensificaram o debate sobre possível conflito de interesses e ampliaram a repercussão política e jurídica do caso.
Nota oficial e reação política
Em dezembro, Alexandre de Moraes divulgou uma nota oficial negando qualquer atuação em benefício do Banco Master. Segundo o ministro, os contatos com o Banco Central trataram exclusivamente de questões institucionais, especialmente relacionadas aos impactos da Lei Magnitsky, sem relação com interesses do banco.
Medidas do STF e cenário atual
Atualmente, as investigações seguem em andamento nas esferas criminal, administrativa e política. O caso permanece no centro do debate nacional sobre ética pública, transparência institucional e os limites da atuação de ministros do STF.
Nesta terça-feira (30), por determinação do ministro Dias Toffoli, do STF, acontece acareação entre Vorcaro; o ex-presidente do Banco de Brasília (BRB), Paulo Henrique Costa; e o diretor de Fiscalização do Banco Central, Ailton de Aquino Santos.