A operação policial realizada nesta terça-feira (28) nos complexos da Penha e do Alemão, no Rio de Janeiro, já entrou para a história como a mais letal do país.
Segundo dados divulgados pelas forças de segurança, o número de mortos chegou a 119, superando a tragédia do massacre do Carandiru, ocorrido em 1992, em São Paulo.
De acordo com o Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ), o total de vítimas já chega a 132 pessoas, incluindo quatro policiais, dois militares e dois civis.
O saldo de mortos ultrapassa o registro de 111 presos assassinados na Casa de Detenção de São Paulo, durante a ação da Polícia Militar paulista há mais de três décadas.
Comparação com o massacre do Carandiru
Diferente do episódio em São Paulo, que ocorreu após uma rebelião interna no presídio, a ofensiva no Rio teve caráter estratégico, visando enfraquecer a estrutura do Comando Vermelho (CV), facção criminosa que domina vastas áreas da zona norte carioca.
A operação, batizada de “Contenção”, mobilizou mais de 2,5 mil agentes das forças de segurança. Até o momento, 113 pessoas foram presas, segundo a Polícia Civil.
O governo do estado afirmou que o trabalho continua para identificar as lideranças remanescentes da facção.
Repercussão e consequências jurídicas
A chacina do Carandiru era até então considerada por órgãos de direitos humanos como a maior ação policial com mortes já registrada no Brasil.
O episódio resultou em longos processos judiciais, mas em 2024 o Tribunal de Justiça de São Paulo (TJSP) extinguiu as penas dos 74 policiais militares condenados pela execução de 77 detentos.
Com o novo balanço do Rio de Janeiro, o país volta a enfrentar o debate sobre limites de letalidade policial, operações em áreas densamente povoadas e a eficácia de ações de combate ao crime organizado.