O Ministério Público do Pará iniciou um inquérito civil para apurar possíveis irregularidades na destinação de mais de R$ 1,5 milhão ao projeto Varanda de Nazaré, tradicional manifestação conduzida por Fafá de Belém durante o Círio de Nazaré.
A apuração foi determinada pelo promotor Sávio Rui Brabo de Araújo e envolve recursos repassados por meio de chamamento público entre a Fundação Cultural do Estado do Pará e o Programa Estadual de Incentivo à Cultura (PEIC).
O objetivo do procedimento é esclarecer como os valores, destinados à realização do evento, foram aplicados, considerando que o encontro reúne nomes de destaque do cenário artístico e político.
Histórico e alcance do Varanda de Nazaré
O projeto, que existe há mais de uma década, é considerado referência na valorização da fé e da cultura amazônica. A edição recente contou com a presença de celebridades como Alane Dias, Dira Paes, Fábio Porchat, Francisco Gil, Gerson Camarotti, Tati Machado e Rafa Kalimann.
A organização do evento, por meio da Kaiapó Produções, afirma que todas as etapas são realizadas dentro de padrões formais, com documentação completa e conformidade legal.
Em nota, a equipe destacou que a edição de 2024 não recebeu nenhum repasse do governo estadual ou da Lei Semear, e que qualquer menção no Diário Oficial foi um erro material corrigido posteriormente.
Confira:
A Kaiapó Produções e a artista Fafá de Belém informam que são as maiores interessadas em que se investiguem os fatos tornados públicos recentemente. A Varanda de Nazaré é uma iniciativa independente, com 15 anos de história, construída e mantida com dedicação, amor e conduzida dentro dos mais altos padrões de legalidade, transparência e responsabilidade na gestão cultural. Todas as etapas de planejamento, captação e execução seguem processos formais e devidamente documentados, em conformidade com a legislação vigente.
A edição de 2024, mencionada em publicações recentes, não recebeu qualquer recurso da lei de incentivo estadual do Pará (Lei Semear) nem qualquer tipo de repasse financeiro do Governo do Estado. A citação do nome da Varanda em edição do Diário Oficial daquele ano resultou de erro material, corrigido oficialmente em errata publicada no DOE dias depois, ficando claro que tal processo não se tratava do projeto. A Varanda de Nazaré 2024 teve relação de apoio institucional com o Governo do Estado, contando unicamente com apoio na estrutura do evento — prática comum em grandes manifestações culturais —, sem qualquer tipo de vínculo financeiro direto.
Ao longo de sua trajetória, a Varanda tem sido viabilizada por parcerias públicas e privadas firmadas de forma regular, com critérios técnicos, contratos formais e ampla prestação de contas aos órgãos competentes — o que reforça sua credibilidade e o reconhecimento que conquistou como referência nacional de valorização da fé, da cultura e da identidade amazônica. A Kaiapó Produções e a artista Fafá de Belém reafirmam seu compromisso com a ética, a transparência e o fortalecimento da cultura paraense, mantendo a dedicação de promover o Círio de Nazaré e o Pará no cenário nacional e internacional como expressões genuínas da espiritualidade e da diversidade da Amazônia.
Segundo a produção e a cantora, o evento sempre contou com parcerias públicas e privadas legítimas, com contratos e prestação de contas detalhada, reforçando sua credibilidade.
O apoio governamental se limitou, em alguns anos, à infraestrutura do local, sem envolvimento financeiro direto.