BRICS aprova plano conjunto de financiamento climático rumo à COP30

Redação Portal Norte

Os países do BRICS (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul) aprovaram na última quarta-feira (28) um documento que traça diretrizes para ampliar o financiamento de ações contra a mudança do clima nos países em desenvolvimento. 

O texto foi discutido durante a Reunião de Alto Nível sobre Clima e Desenvolvimento Sustentável e deve ajudar a fortalecer a posição do bloco nas negociações da 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP30), marcada para novembro, em Belém (PA).

Segundo a embaixadora Tatiana Rosito, do Ministério da Fazenda, é a primeira vez que o BRICS define uma estratégia comum nessa área. A proposta inclui: 

  • Reformas em bancos multilaterais;
  • Mais financiamento em condições acessíveis;
  • Uso de capital privado;
  • Medidas regulatórias para facilitar o fluxo de recursos para o Sul Global.
BRICS. Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

O documento, chamado Declaração Quadro para Líderes do BRICS sobre Financiamento Climático, foi aprovado por vice-ministros e será encaminhado aos presidentes dos países-membros. 

 “É um tema permanente e que segue esse ano rumo à COP30. É importantíssimo e vai nos ajudar também nos resultados para o final do ano”, apontou a embaixadora Liliam Chagas, diretora do Departamento de Clima do Itamaraty.

Trilhões para a natureza

Uma das apostas é o chamado “Road Map Baku-Belém”, que tem por objetivo guiar os esforços para mobilizar até US$ 1,3 trilhão até 2035 para ações climáticas em países do Sul Global.

Para impulsionar essa meta, o presidente da COP30, embaixador André Corrêa do Lago, criou o Círculo de Ministros das Finanças, reunindo representantes de 30 países, instituições internacionais e empresas privadas.

O Brasil também apresentou uma proposta própria: o Fundo Florestas Tropicais para Sempre (TFFF). A ideia é criar um modelo de investimento voltado à preservação das florestas tropicais, com retorno financeiro para os países que mantêm suas florestas em pé. 

Segundo Rosito, o modelo pode atrair mais de US$ 100 bilhões, com os recursos gerando rendimentos contínuos. O monitoramento seria feito por satélite.

Outros acordos

Além do financiamento, a reunião avançou em temas como propriedade intelectual, acesso a tecnologias e cooperação científica. Foi aprovada a criação de uma plataforma conjunta para pesquisa e desenvolvimento em mudanças climáticas.

Outro ponto importante foi o anúncio de um laboratório do BRICS voltado ao comércio e clima. A proposta é entender como medidas ambientais adotadas por outros países impactam as exportações do bloco.

Também começou um debate sobre contabilidade de carbono, para definir formas comuns de medir a pegada de carbono de produtos e setores.