Justiça determina que IBGE inclua perguntas sobre orientação sexual no Censo Demográfico deste ano

Justiça Federal do Acre determina que IBGE inclua questão sobre orientação sexual no Censo 2022
Redação Portal Norte

A Justiça Federal do Acre determinou, nesta sexta-feira, 3, ao Instituto Brasileiro de Geografia Estatística (IBGE) que inclua questões sobre orientação sexual no Censo 2022.

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A decisão do juiz federal Herley da Luz Brasil atende a um pedido do Ministério Público Federal do Acre e é válida para todo o país.

O IBGE tem 30 dias para cumprir a determinação.

Por meio de nota, o instituto disse que só vai se manifestar após analisar a intimação judicial.

Na decisão, o juiz afirmou que, a população LGBTQIA+ é banida à “invisibilidade social”.

“Muito embora saibamos que há milênios as pessoas que se enquadram na classificação LGBTQIA+ fazem parte da sociedade, também conhecemos que em muitas delas – senão na esmagadora maioria – essas pessoas são relegadas à invisibilidade social, com forte repressão de algumas instituições religiosas, do Estado e, até por consequência da atuação dessas entidades, pela sociedade”, escreveu o juiz na decisão.

Ele afirma ainda que a discriminação é “forte” a ponto de as pessoas deixarem a população LGBTQIA+ “à margem” da sociedade.

“A omissão que o Estado brasileiro, historicamente, tem usado em desfavor da população LGBTQIA+ é relevante e precisa ser corrigida. Enquanto a perseguição, a pecha de doente, a morte, o holocausto e outras discriminações criminosas foram e/ou são praticadas por ação, existe também a violação de direitos por omissão estatal”, disse.

Na ação apresentada à Justiça Federal do Acre, o procurador regional dos Direitos do Cidadão, Lucas Costa Almeida Dias, disse que fazer o Censo sem perguntas sobre a identidade de gênero e orientação sexual impede a formulação de políticas públicas que atendam as necessidades da população LGBTQIA+.

“Para o MPF, a informação estatística cumpre um significativo papel na efetivação de políticas públicas por evidenciar questões sociais ainda latentes, e é somente a partir do conhecimento da quantidade e condições de vida dessas populações que suas demandas sociais podem fazer parte da agenda estatal”, informou o Ministério Público.

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