EUA e China fazem trégua no ‘tarifaço’ e reduzem taxas por 90 dias

Redação Portal Norte

Os Estados Unidos e a China chegaram a um acordo, anunciado nesta segunda-feira (12), para reduzir as tarifas e dar uma trégua, mesmo que momentânea, para a guerra de impostos que acontece desde o início de abril.

A medida, proposta pelo governo norte-americano, busca diminuir o déficit do país, que perdeu mais de US$ 1,4 trilhão em valor de mercado. O acordo prevê:

  • Redução das tarifas dos EUA sobre exportações da China, de 145% para 30%;
  • Redução das tarifas da China sobre produtos dos EUA, de 125% para 10%.

A previsão é de que a redução entre em vigor até quarta-feira (14), pelo período de 90 dias. A guerra tarifária entre os países já impactou US$ 600 bilhões em comércio bilateral, segundo previsões. Clique aqui e entenda a influência disso no Brasil.

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EUA dá pausa em escalada de impostos que acontece desde janeiro – Foto: Pedro Pardo/ AFP.

Detalhes do acordo e o que diz os EUA

O anúncio foi feito durante a madrugada, após encontro entre representantes dos dois países no final de semana em Genebra, na Suíça, para discutir as taxas sobre importações. 

“Ambos os países representaram muito bem seus interesses nacionais. Temos um interesse comum em um comércio equilibrado, e os EUA continuarão caminhando nessa direção”, afirmou o secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent.

Bessent apontou ainda que esse acordo não fala de tarifas de setores específicos, porém confirmou que os EUA vão continuar o “reequilíbrio estratégico” em áreas como remédios, semicondutores e aço.

Representantes fazem acordo sobre tarifaço. Foto: Fabrice COFFRINI / AFP

“Os Estados Unidos têm um déficit comercial global de US$ 1,2 trilhão, então o presidente declarou emergência global e impôs as tarifas; e nós estamos confiantes de que o acordo firmado com os parceiros da China vai nos ajudar a trabalhar para resolver a emergência nacional”, afirma Jamieson Greer, representante do comércio dos EUA.

Mercados potentes 

O anúncio trouxe otimismo aos mercados financeiros. O dólar se valorizou em comparação a outras moedas, e as bolsas dos EUA e da China já abriram em alta. O índice acionário em Xangai foi para cima, e o yuan, moeda chinesa, alcançou seu maior valor em seis meses. Em Nova York, as bolsas também viram ganhos. 

Linha do tempo da guerra de impostos

  • 20 de janeiro
    • Donald Trump retorna à Casa Branca.
    • Impõe tarifas adicionais de 10% sobre produtos chineses, justificando as taxas pelo papel da China na produção de fentanil.
    • Posteriormente, aumenta as tarifas para 20%.
  • 2 de abril
    • Trump anuncia tarifas que afetam grande parte do mundo, visando reduzir o déficit comercial dos EUA.
    • Para a China, as tarifas chegam a 34%, além das relacionadas ao fentanil.
  • Após 2 de abril
    • Pequim responde com uma taxa adicional de 34% sobre produtos americanos.
    • Em reação, Trump eleva as tarifas para 104%.
  • 10 de abril
    • China aumenta suas tarifas para 84%.
    • Trump responde com novas tarifas de 125%, somadas a 20% relacionadas ao fentanil, totalizando 145% sobre produtos chineses.