Com a morte do Papa Francisco nesta segunda-feira (21), a Igreja Católica inicia o processo de sucessão, que culminará na eleição de um novo pontífice pelo conclave. A votação será conduzida por cardeais com menos de 80 anos, entre eles sete brasileiros que estão aptos a participar do processo eleitoral do novo papa.
Ao todo, 135 cardeais estão habilitados a votar. Eles foram escolhidos pessoalmente por papas anteriores e representam o mais alto escalão da Igreja Católica.
Conheça os cardeais brasileiros que podem votar no novo papa:
Dom Sérgio da Rocha

Arcebispo de Salvador e Primaz do Brasil, tem 65 anos. Lidera a arquidiocese mais antiga do país e foi criado cardeal em 2016, pelo papa Francisco.
Dom Jaime Spengler

Presidente da CNBB e arcebispo de Porto Alegre. Catarinense de 64 anos, faz parte da Ordem dos Frades Menores. Tornou-se cardeal em 2023.
Dom Odilo Pedro Scherer

Arcebispo de São Paulo, tem 75 anos. Participou do conclave de 2013, que elegeu Francisco, e chegou a ser cogitado como possível sucessor de Bento 16. Seu pedido de renúncia foi aceito em 2024, mas ele permanece no cargo até 2026, a pedido do próprio papa.
Dom Orani João Tempesta

Arcebispo do Rio de Janeiro desde 2009, tem 74 anos e foi nomeado cardeal em 2014. Pertence à Ordem Cisterciense.
Dom João Braz de Aviz

Com 77 anos, foi nomeado cardeal por Bento 16 em 2012. Atuou por 14 anos como prefeito do Dicastério para os Institutos de Vida Consagrada, no Vaticano. Participou da eleição de Francisco em 2013.
Dom Leonardo Steiner

Arcebispo de Manaus, tem 74 anos e foi nomeado cardeal em 2022. É franciscano e atuou como secretário-geral da CNBB por oito anos.
Dom Paulo Cezar Costa

Arcebispo de Brasília e o mais jovem entre os cardeais brasileiros eleitores, com 57 anos. Tornou-se cardeal em 2022, também por indicação de Francisco.
Como funciona o conclave?
O conclave é o processo sigiloso que define o novo papa. Os cardeais com direito a voto devem se reunir entre o 15º e o 20º dia após a morte do pontífice, permanecendo hospedados dentro do Vaticano até que o sucessor seja escolhido.
Embora, tecnicamente, qualquer homem batizado possa ser eleito, desde o século XIV os papas são escolhidos exclusivamente entre os cardeais.
Para ser eleito, o candidato precisa do apoio de dois terços dos cardeais votantes. As votações seguem em várias rodadas até que esse número seja alcançado. Se houver impasse, há um dia de pausa para orações e reflexões antes da retomada da votação.
Durante o processo, discussões sobre perfis e alianças ocorrem nos bastidores. A campanha aberta é proibida, mas os cardeais discutem entre si os méritos dos possíveis candidatos. Embora cardeais mais velhos tenham menos chance de serem eleitos, seu prestígio costuma pesar nas articulações internas.
Todos os sete brasileiros elegíveis também podem ser votados. No entanto, a eleição do papa é, além de espiritual, uma articulação política complexa.