Após a morte do Papa Francisco, que aconteceu nesta segunda-feira (21), muitos se perguntam como funciona o processo para escolher o novo Papa.
A eleição de um novo papa é um dos momentos mais solenes e importantes da Igreja Católica. O processo segue um conjunto de normas rigorosas, estabelecidas pela Constituição Apostólica Universi Dominici Gregis, promulgada por João Paulo II em 1996.
O documento define o passo a passo desde a vacância da Sé Apostólica até o anúncio oficial do novo líder espiritual da Igreja.
O que acontece quando o papa morre ou renuncia?
A morte ou renúncia do papa dá início ao período de Sede Vacante, quando o trono papal fica oficialmente vago. Durante esse intervalo, o governo da Igreja é assumido pelo Colégio dos Cardeais, com atribuições limitadas. Eles não podem tomar decisões doutrinárias ou de longo prazo, apenas manter a administração essencial e preparar a eleição do sucessor.
O responsável por confirmar oficialmente a morte do pontífice é o camerlengo, autoridade eclesiástica encarregada de gerir os bens da Santa Sé nesse período. Cabe a ele lacrar os aposentos papais, organizar o funeral e convocar os cardeais para o Conclave.
O papa falecido é velado na Basílica de São Pedro, com nove dias consecutivos de missas em sua homenagem, seguindo a tradição do novendial. O sepultamento, normalmente, ocorre no Vaticano, embora o pontífice possa deixar instruções diferentes — como fez Francisco.
Como é feita o Conclave, a eleição de um novo papa

A escolha de um novo pontífice cabe exclusivamente ao Colégio dos Cardeais. Apenas os cardeais com menos de 80 anos na data da vacância têm direito a voto. O número máximo de eleitores é de 120.
A eleição ocorre no Conclave, uma reunião secreta realizada na Capela Sistina, no Vaticano. Os cardeais ficam isolados na Casa Santa Marta, sem contato com o mundo exterior e proibidos de usar dispositivos eletrônicos.
Antes das votações, é celebrada a Missa Pro Eligendo Pontifice, pedindo a orientação divina para a escolha do novo líder. Em seguida, os cardeais seguem para a Capela Sistina e prestam juramento de sigilo absoluto.
Cada um escreve o nome do escolhido em uma cédula, com a frase em latim Eligo in Summum Pontificem (“Elejo como Sumo Pontífice”) e deposita o voto sobre o altar, declarando: “Invoco como testemunha Cristo Senhor, que me há de julgar, que o meu voto é dado àquele que, segundo Deus, julgo dever ser eleito”.
Quando a fumaça é branca?
A eleição requer dois terços dos votos. Após cada escrutínio, as cédulas são queimadas. Se ninguém for eleito, a fumaça é preta. Quando um nome alcança a maioria necessária, a fumaça branca sobe da chaminé da Capela Sistina, indicando ao mundo que um novo papa foi escolhido.
Caso o impasse se prolongue, as regras permitem que, após diversas votações, a escolha se restrinja aos dois nomes mais votados. Três cardeais são sorteados como escrutinadores, outros três como revisores e mais três como responsáveis por coletar votos de cardeais que não puderem comparecer por problemas de saúde.