Juros altos derrubam confiança do empresário e janeiro tem pior resultado da década

Redação Portal Norte

A confiança do empresário industrial começou 2026 em patamar historicamente baixo para o mês de janeiro, refletindo os impactos diretos do atual cenário econômico e do nível elevado da taxa básica de juros no país.

Levantamento divulgado pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) aponta que o ambiente de negócios segue marcado por cautela, especialmente diante das dificuldades de crédito e do custo elevado para investimentos.

Índice de confiança sobe levemente, mas segue em zona negativa

O Índice de Confiança do Empresário Industrial (ICEI) apresentou avanço de 0,5 ponto em janeiro, alcançando 48,5 pontos. Apesar da melhora marginal, o resultado permanece abaixo da linha de neutralidade, fixada em 50 pontos, indicando predominância de pessimismo no setor.

O indicador varia de 0 a 100 pontos e mede a avaliação dos empresários sobre a economia e o desempenho de seus próprios negócios.

Pesquisa ouviu empresas de todos os portes

A pesquisa foi realizada entre os dias 5 e 9 de janeiro de 2026, com a participação de 1.058 empresas em todo o país. Do total, 426 são de pequeno porte, 383 médias e 249 grandes.

Segundo a CNI, o cenário desfavorável observado nos últimos meses tem relação direta com a política monetária restritiva e com a desaceleração da atividade econômica.

Selic em 15% impacta decisões e investimentos

Para o gerente de Análise Econômica da CNI, Marcelo Azevedo, a manutenção da taxa Selic em 15% ao ano, maior nível registrado em quase duas décadas, tem pesado sobre o planejamento das empresas.

A taxa básica de juros é referência para empréstimos e financiamentos, influenciando diretamente o acesso ao crédito, a expansão dos negócios e a realização de novos investimentos.

Avaliação atual é negativa, mas expectativas mostram leve melhora

A decomposição do ICEI revela comportamentos distintos entre presente e futuro:

  • Índice de Condições Atuais: subiu 0,2 ponto, chegando a 44 pontos, o que indica que os empresários ainda avaliam a economia e seus negócios como piores do que há seis meses.
  • Índice de Expectativas: avançou 0,7 ponto, atingindo 50,7 pontos, sinalizando uma percepção mais positiva para os próximos seis meses.

De acordo com a CNI, esse otimismo está concentrado principalmente nas expectativas em relação ao desempenho das próprias empresas, enquanto a visão sobre a economia nacional segue mais negativa.