O Acre apresentou crescimento no setor de extração vegetal em 2024, alcançando R$ 115,8 milhões em valor de produção, segundo dados divulgados nesta quinta-feira (25) pelo IBGE.
O resultado representa alta de 1,8% em relação ao ano anterior e reforça a importância do extrativismo sustentável para a economia acreana.
Produtos como madeira, borracha, açaí e, principalmente, a castanha-do-Brasil, seguem como pilares de geração de renda e fortalecimento das comunidades tradicionais.
A castanha continua sendo o produto mais relevante da extração local, responsável por mais da metade do valor total registrado.
A produção ultrapassou as 9,9 mil toneladas, com destaque para municípios como Xapuri, Brasileia e Rio Branco, que juntos somaram mais de R$ 32 milhões.
Mesmo diante da queda de preço pago ao produtor, o setor conseguiu aumentar a produção, evidenciando a resiliência da atividade.
Outro destaque foi a madeira em tora, cuja produção avançou 27,1% em volume, chegando a 219 mil m³. O valor movimentado passou de R$ 19,2 milhões para R$ 26 milhões, um salto de 35,2%.
O município de Feijó, no Acre, concentrou mais da metade da produção estadual, seguido por Bujari e Rio Branco, consolidando-se como polo da atividade florestal.
O látex coagulado também apresentou resultado positivo, com R$ 14,9 milhões gerados a partir de 769 toneladas.
O preço médio de R$ 19,80 por quilo reforça a valorização da borracha nativa, sobretudo em cidades como Xapuri, Senador Guiomard e Brasileia.
Já o açaí teve expansão moderada, com aumento de 2,4% na produção e 6,5% em valor, atingindo R$ 7,5 milhões, puxado principalmente por Feijó.
No cenário nacional, a produção florestal somou R$ 44,3 bilhões em 2024, um crescimento de 16,7% em comparação ao ano anterior.
Em relação a 2019, o avanço é ainda mais expressivo, com aumento de 140%. O levantamento do IBGE mostra que tanto a extração quanto a silvicultura foram impulsionadas pela alta nos preços e pela maior oferta de produtos.
A silvicultura se mantém como principal força do setor, respondendo por 84,1% de todo o valor gerado, o equivalente a R$ 37,2 bilhões.
Já o extrativismo vegetal representou 15,9% do total, com R$ 7 bilhões. A pesquisa aponta que a produção proveniente de áreas plantadas é majoritária no Brasil desde 1998.
Norte responde por 11,1% da produção florestal nacional
Do ponto de vista regional, o Norte respondeu por 11,1% da produção florestal nacional, ficando atrás de Sul, Sudeste e Centro-Oeste.
Mesmo com participação menor, os estados amazônicos têm papel estratégico, pois concentram grande diversidade de recursos naturais e cadeias produtivas ligadas à sociobiodiversidade.
Minas Gerais lidera entre os estados, com R$ 8,5 bilhões produzidos em 2024, o equivalente a 22,8% do total nacional, seguido pelo Paraná, que registrou R$ 6,3 bilhões.
No ranking municipal, General Carneiro (PR) ocupa a primeira posição, à frente de cidades de Mato Grosso do Sul e Minas Gerais, todas com destaque pela silvicultura.