Um levantamento realizado pela Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Acre (Fecomércio-AC), por meio do Instituto DataControl, aponta que 66,9% da população ativa economicamente de Rio Branco possui dívidas com vencimento previsto para os próximos seis meses. A pesquisa, divulgada no último dia 28 de agosto, ouviu 402 pessoas e revela um cenário preocupante para o equilíbrio das finanças domésticas na capital acreana.
Do total de entrevistados, 52,8% são mulheres e 47,2% homens. A maioria (72,2%) declarou receber até R$ 1.518 por mês, enquanto 27,8% afirmaram ter ganhos acima desse valor, com maior concentração na faixa entre R$ 1.519 e R$ 3.036. Em relação à idade, 60,7% têm entre 16 e 44 anos, sendo 44,5% na faixa de 25 a 44 anos.
No quesito escolaridade, 61,5% concluíram algum nível de ensino, sendo fundamental (10,2%), médio (38,4%), superior (10,6%) e pós-graduação (2,3%). Já 38,5% possuem escolaridade incompleta.
A pesquisa mostra também que apenas 25,9% dos entrevistados possuem vínculo empregatício formal e 27,8% atuam como autônomos. Outros 13,4% são aposentados, 5,1% empresários e 27,8% estão desempregados. Entre os empregados, somente 31% conseguem encerrar o mês com algum dinheiro disponível; a maioria (63,9%) não consegue guardar nada.
O comprometimento da renda com dívidas é elevado: 30% destinam cerca de 40,2% do salário para o pagamento de obrigações, enquanto 31,5% comprometem metade da renda mensal. O estudo aponta ainda que 42,6% dos endividados têm registros em serviços de proteção ao crédito.
Dificuldades para pagar dívidas
Mais da metade dos rio-branquenses endividados (56,9%) reconhece dificuldades para manter os pagamentos em dia. Para 74,5% deles, os atrasos médios são de até 30 dias, enquanto outros 18,5% levam de 31 a 45 dias para regularizar as pendências.

Entre as estratégias adotadas para lidar com a situação, 41,7% priorizam o pagamento de contas consideradas essenciais, 16,7% buscam realizar serviços extras, 14,4% reduzem o consumo de alguns itens, 14,8% recorrem a empréstimos bancários e 12,5% procuram outras soluções.
Apesar do cenário, 48,1% da população afirma planejar o uso de seus recursos financeiros, enquanto 44,4% não fazem nenhum tipo de planejamento e 7,4% só organizam os gastos em situações específicas.
O levantamento confirma que o endividamento segue sendo um dos principais desafios para a população de Rio Branco. A combinação de baixa renda, alto comprometimento do orçamento com dívidas, dificuldades de pagamento e baixo nível de planejamento financeiro cria um ambiente de vulnerabilidade, aumentando o risco de inadimplência entre as famílias da capital acreana.