Apesar da demissão em massa de 860 trabalhadores da Philco em Manaus, resultado de uma reestruturação da empresa, a indústria amazonense não sentiu impacto significativo e comemora um faturamento recorde de R$ 18,3 bilhões entre fevereiro e maio deste ano.
O bom desempenho foi impulsionado principalmente por dois setores estratégicos: motocicletas e aparelhos de ar-condicionado tipo split.
Motocicletas e splits aquecem polo industrial de Manaus
Em Manaus, estão instaladas as dez maiores fabricantes de motocicletas do país, responsáveis por 98% da produção nacional.
Por outro lado, o polo de splits conta com 13 fábricas, formando o segundo maior centro de produção do mundo, atrás apenas da China.
O aumento no preço dos combustíveis e o calor mais intenso contribuíram para aquecer as vendas nesses segmentos.

O polo de duas rodas cresceu 13,19% no período, enquanto o setor de ar-condicionado registrou alta de 17,34%.
Para o presidente do Conselho Superior do Centro das Indústrias do Estado do Amazonas (CIEAM), Luiz Augusto Rocha, os resultados superaram as expectativas.
“Os números foram extraordinariamente positivos. Ficamos acima da média nacional também na geração de empregos, segundo dados do Caged e do governo federal. Superamos as expectativas mais otimistas”, afirmou.

A força da produção refletiu também na geração de empregos. Mais de 130 mil trabalhadores foram contratados para atuar nas linhas de operação de diversos segmentos da Zona Franca de Manaus.
Na próxima semana, entra em vigor a nova tarifa de 50% imposta pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros.
Conforme o CIEAM, a medida, anunciada ainda durante o governo de Donald Trump, deve ter impacto limitado na economia local.
Rocha concorda com a análise feita pelo secretário de Desenvolvimento Econômico, Ciência, Tecnologia e Inovação do Amazonas (Sedecti), Serafim Corrêa:
“O impacto será muito pequeno para as atividades industriais da Zona Franca e, por consequência, também para a geração de emprego e renda”.
Inteligência artificial nas empresas
A expectativa do setor é encerrar o ano com novos recordes. Um dos fatores que contribuem para isso é a implementação da inteligência artificial nas fábricas, tecnologia que ajuda a aumentar a produtividade.
De acordo com Mariana Varella, coordenadora da comissão de inovação do CIEAM, a IA deve ser vista como aliada:
“Temos buscado levar conhecimento para que as empresas e os trabalhadores compreendam os benefícios da inteligência artificial no dia a dia da produção”, destacou.
