Rondônia vota contra o bolso do consumidor? Veja quem apoiou projeto que aumenta conta de luz

Redação Portal Norte

A conta de luz dos brasileiros pode subir até 3,5% nos próximos anos após o Congresso Nacional derrubar vetos do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) a trechos de um projeto de lei que trata da geração de energia eólica em alto-mar.

A votação, que ocorreu na última terça-feira (17), teve apoio da maioria dos parlamentares de Rondônia, mesmo diante de alertas de especialistas sobre os impactos financeiros da medida.

Entidades como a Frente Nacional dos Consumidores de Energia (FNCE) e a Abrace Energia afirmam que os trechos retomados pelo Congresso podem gerar um custo adicional de até R$ 197 bilhões, que deve ser repassado diretamente ao consumidor final.

Como votou a bancada de Rondônia

Entre os oito deputados federais e três senadores de Rondônia, apenas Lúcio Mosquini (MDB) votou para manter o veto presidencial e tentar barrar os pontos que devem provocar o aumento da conta de luz.

Os demais parlamentares se dividiram entre votos pela derrubada, voto em branco e abstenções.

Veja como cada parlamentar de Rondônia votou na medida que aprova aumento da conta de luz:

Senadores

  • Confúcio Moura (MDB) — votou pela derrubada do veto
  • Jaime Bagattoli (PL) — votou pela derrubada do veto
  • Marcos Rogério (PL) — votou pela derrubada do veto

Deputados federais

  • Lúcio Mosquini (MDB) — votou para manter o veto
  • Lebrão (União) — votou pela derrubada do veto
  • Maurício Carvalho (União) — votou pela derrubada do veto
  • Silvia Cristina (PP) — votou pela derrubada do veto
  • Thiago Flores (Republicanos) — votou pela derrubada do veto
  • Coronel Chrisóstomo (PL) — voto em branco
  • Dr. Fernando Máximo (União) — voto em branco
  • Cristiane Lopes (União) — abstenção
Senadores de Rondônia votaram pela derrubada do veto que mantém projeto – Foto: Divulgação/Senado Federal

O que diz o projeto e por que pode encarecer a energia?

Os trechos retomados pelo Congresso obrigam o governo a contratar determinados tipos de energia, mesmo sem necessidade técnica comprovada.

De acordo com nota técnica de 12 entidades do setor elétrico, isso distorce o planejamento do sistema, amplia o risco de desperdício e aumenta os custos que recaem sobre o consumidor.

Principais pontos da proposta que geram impacto financeiro:

Contratação obrigatória de pequenas centrais hidrelétricas (PCHs):

  • Impacto estimado: R$ 140 bilhões
  • O projeto obriga a contratação de 4,9 GW de energia, mesmo sem necessidade atual, criando sobreoferta.

Energia do etanol e eólicas regionais:

  • Impacto estimado: R$ 33 bilhões
  • Determina a contratação de hidrogênio a partir do etanol no Nordeste e energia eólica no Sul, com alto custo.

Prorrogação de contratos do Proinfa por 20 anos:

  • Impacto estimado: R$ 24 bilhões
  • O programa de incentivo às fontes alternativas continuará exigindo repasses bilionários.

No total, o impacto estimado apenas dos vetos derrubados já chega a R$ 197 bilhões. Se os demais trechos ainda pendentes de votação forem aprovados, o custo pode atingir R$ 545 bilhões até 2050, segundo as associações.

O que ainda falta ser votado

O projeto ainda inclui outros trechos que, se aprovados, podem aumentar ainda mais o custo da energia. Veja o que ainda está em debate:

  • Extensão de usinas a carvão: R$ 92 bilhões
  • Subsídios às térmicas a gás: R$ 155 bilhões
  • Manutenção de subsídios à energia solar: R$ 101 bilhões

Se todos esses pontos forem mantidos, a estimativa é de que o consumidor brasileiro pague a conta ao longo das próximas décadas.