Fraude no INSS: dirigentes de entidades eram cadastrados no Bolsa Família

Redação Portal Norte

As investigações da Polícia Federal sobre o escândalo de fraude no INSS revelaram um novo e surpreendente desdobramento: líderes de associações envolvidas no esquema bilionário estavam registrados no Cadastro Único (CadÚnico) e recebiam benefícios sociais como o Bolsa Família e o Auxílio Brasil.

A descoberta amplia o alcance da investigação e levanta dúvidas sobre a real estrutura dessas entidades.

Segundo a PF, cinco dirigentes das principais associações investigadas apareciam como beneficiários de programas sociais, mesmo liderando entidades que movimentaram bilhões em convênios com o INSS. Entre eles estão:

  • Maria Ferreira da Silva (88 anos) – presidente da AAPB desde 2021, aposentada desde 2003, com renda per capita de R$ 1.320 registrada no CadÚnico.
  • Maria Liduina Pereira de Oliveira (56 anos) – recebeu Bolsa Família até 2015.
  • Maria Eudenes dos Santos (65 anos) – beneficiária do Bolsa Família até 2021 e do Auxílio Brasil até 2022.
  • Francisca da Silva de Souza (71 anos) – recebeu Bolsa Família até 2015.
  • Valdira Prado Santana Santos (79 anos) – presidente da Universo desde 2021, registrada em programas sociais.

Suposto uso de ‘laranjas’ em esquema bilionário

O relatório da PF aponta que, apesar da idade avançada de algumas dirigentes, elas estavam à frente de associações que afirmavam atuar em mais de 4.000 municípios brasileiros, o que exige alta capacidade de articulação e gestão — algo que, segundo os investigadores, não condiz com o perfil de algumas das presidentes.

O esquema utilizava acordos de cooperação técnica com o INSS para aplicar descontos indevidos na folha de pagamento dos segurados, sob o pretexto de oferecer serviços associativos.

A suspeita é que as associações funcionavam como fachadas para organizações criminosas, com uso de testas de ferro para ocultar os verdadeiros operadores do esquema e disfarçar a origem dos recursos.

Prejuízo da fraude do INSS pode chegar a R$ 6,3 bilhões

A Controladoria-Geral da União (CGU) estima que o prejuízo aos cofres públicos pode ultrapassar R$ 6,3 bilhões. O impacto da fraude afetou diretamente aposentados, pensionistas e outros beneficiários da Previdência Social.

Como resposta imediata, o presidente do INSS foi exonerado e os convênios com entidades privadas foram suspensos. O caso já mobiliza o Congresso: parlamentares conseguiram o número necessário de assinaturas para a abertura de uma CPI na Câmara dos Deputados.

Com informações da CNN.