Projeto de estudantes do Amazonas pode revolucionar tratamento de doenças como Alzheimer e Parkinson

Redação Portal Norte

Duas estudantes estão prestes a representar o Amazonas com um projeto em um dos maiores eventos científicos do país: a Feira Brasileira de Ciências e Engenharia (FEBRACE) 2025.

Ada Jamile, coronel-aluna do Colégio Militar de Manaus (CMM), e Isabela Rogério, ex-aluna do CMM e estudante de Engenharia Elétrica na Universidade do Estado do Amazonas (UEA), pretendem ajudar diversas pessoas com as suas pesquisas.

'Projeto MeMO' de estudantes do Amazonas
As estudantes estão prestes a representar o Amazonas em um dos maiores eventos científicos do país – Foto: Divulgação

Elas levarão o Projeto MeMO, uma pesquisa inovadora que propõe o uso de ondas binaurais como alternativa terapêutica para doenças neurodegenerativas, como Alzheimer e Parkinson.

O que é o ‘Projeto MeMO’ de estudantes do Amazonas?

O Projeto MeMO investiga como as ondas binaurais — geradas pela combinação de duas frequências sonoras distintas — podem modular a atividade cerebral e influenciar processos biológicos relacionados a doenças neurodegenerativas.

Quando ouvidas, essas ondas criam uma terceira frequência, chamada de batida binaural, que promove a sincronização neural. O estudo busca comprovar que esse fenômeno pode reduzir a expressão de genes associados a demências, como APP, MAPT e BACE, oferecendo uma terapia de baixo custo e não invasiva.

Por que esse projeto é importante?

Doenças neurodegenerativas, como Alzheimer e Parkinson, afetam milhões de pessoas no Brasil e no mundo.

Conforme o Relatório Nacional sobre a Demência, 8,5% dos brasileiros acima de 60 anos sofrem de demência, totalizando 2,71 milhões de indivíduos. Desses casos, 70% correspondem à doença de Alzheimer, enquanto a doença de Parkinson também apresenta uma grande incidência.

Os tratamentos atuais são caros e sobrecarregam o Sistema Único de Saúde (SUS), tornando urgente a busca por alternativas mais acessíveis e eficazes.

Os resultados alcançados

No estudo, Ada e Isabela, realizaram um bioensaio com células H4, expondo-as a uma batida binaural de 12 Hz.

'Projeto MeMO' de estudantes do Amazonas
Resultados da pesquisa – Foto: Divulgação

Os resultados foram promissores: houve uma redução na expressão dos genes APP, MAPT e BACE, indicando que as ondas binaurais podem modular processos biológicos ligados a demências.

Esses achados abrem caminho para novas abordagens terapêuticas, mas as jovens pesquisadoras ressaltam que mais estudos são necessários para consolidar os resultados.

Próximos passos

As perspectivas futuras do Projeto MeMO incluem o uso de ferramentas computacionais baseadas em inteligência artificial (IA) para análise de dados, além de novos bioensaios para verificar o efeito das batidas binaurais no nível proteico.

O estudo busca oferecer uma terapia de baixo custo e não invasiva – Foto: Divulgação

Ademais, também estão planejadas análises de eletroencefalograma de pacientes submetidos ao tratamento, o que pode trazer mais evidências sobre a eficácia da terapia.

O papel das jovens cientistas

Ada Jamile e Isabela Rogério são exemplos de dedicação e inovação. Enquanto Ada ainda cursa o Ensino Médio no CMM, Isabela já trilha seu caminho na Engenharia Elétrica, mostrando que a base científica sólida abre portas para grandes conquistas.

Jovens pesquisadoras desenvolvem projeto para tratamento de doenças neurodegenerativas – Foto: Divulgação

A participação delas na FEBRACE 2025 coloca o Amazonas no mapa da ciência nacional e inspira outros jovens a investir em pesquisa e inovação.

As estudantes são um exemplo de como a ciência, quando aliada à criatividade e aos estudos, podem gerar bons resultados. Além disso, pode gerar até mesmo soluções inovadoras para desafios globais.