Dino afirma que investigações vão ‘chegar onde têm que chegar’, em Brasília

Ministro Flávio Dino afirma que investigações sobre atos antidemocráticos vão 'chegar onde têm que chegar', em cerimônia que homenageou profissionais envolvidos na operação.
Redação Portal Norte

O ministro da Justiça e Segurança Pública, Flávio Dino, afirmou que as investigações dos envolvidos nos atos antidemocráticos de domingo (8) vão continuar e “chegar onde têm que chegar nos termos da lei”.

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O pronunciamento foi feito durante cerimônia de homenagem aos profissionais envolvidos na operação de garantia da democracia e preservação do Estado de Direito, realizada nesta sexta-feira (13).

“Direito penal tem uma dupla função, repressiva […] e preventiva. […] Temos que levar isso adiante, não por vingança ou retaliação, mas porque a lei manda, se não fizermos isso, estaremos cometendo crime com prevaricação […] É a prevenção de novos eventos dessa natureza”, completou Flávio Dino.

O ministro destacou que o que ocorreu em Brasília no último domingo “é muito grave” e disse que foi uma “benção” não ter nenhuma morte.

“Quem olhou o ódio materializado nos objetos, viu o ódio contra as pessoas. O ódio à cadeira não era um ódio à cadeira, mas a quem senta nela. O ódio a uma sala ou gabinete era um ódio entre brasileiros e brasileiras. Como se constrói uma nação dessa forma?”, questionou.

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União e justiça foi o que o ministro pediu no atual momento da democracia brasileira.

“União nacional para proteger dinheiro público, interesse público, não é para proteger um governo, é para proteger o Brasil, a nossa pátria”, ressaltou.

Dino ainda destacou que dinheiro público será gasto para reparar os danos aos prédios públicos e condenou novas ameaças de terroristas.

“Estamos falando de milhões de reais que estão sendo subtraídos do povo brasileiro. Quantos milhões vão ser empreendidos para recuperar danos materiais e cada ameaça que se processa de fechamento de estradas, refinarias, quantos milhões são gastos para proteger patrimônio público. Terroristas querem deixar regiões sem energia elétrica, deixar hospital sem energia elétrica é criminoso”, enfatizou.

Além disso, o ministro afirmou que os “vencidos” precisam entender que as eleições de 2022 acabaram e que um mandato acaba rápido.

“Pelo amor de Deus, acabaram as eleições de 2022, se preparem para a próxima, de 2026. […] Vamos respeitar democraticamente o resultado como respeitamos em 2018”, disse.

Dino fala sobre prisões

O ministro da Justiça ressaltou que a operação de prisões de vândalos ocorrida ainda no domingo é uma das “maiores prisões em flagrante da história do planeta”.

Segundo a Polícia Federal, só no último dia 8, foram 209 prisões efetuadas pela Polícia Militar do Distrito Federal (PMDF) e Polícia Civil do estado (PCDF).

O interventor federal, Ricardo Cappelli, também falou durante o evento e agradeceu aos policiais de diferentes corporações pelo trabalho e atuação nos dias após os atos antidemocráticos.

Sobre a PMDF, o interventor destacou que quer visitar os agentes feridos durante o ato e ressaltou que tem plena confiança na corporação.

“A PMDF não está feliz, está machucada pelo que aconteceu na noite do dia 8. […] Sou testemunha da história, eu vi que sem que eu precisasse tomar iniciativa […] os corregedores da PM tomaram a iniciativa de abrir inquérito para apurar as condutas inadequadas”, ressaltou.

“Separando o joio do trigo” e valorizando a corporação, o interventor acredita que é possível retomar a confiança da PMDF.

Devolução da Constituição

O ministro Flávio Dino destacou que vai devolver ao STF a réplica da Constituição Federal, junto com o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues.

A devolução do texto, para Dino, simboliza que o Brasil venceu.

“A constituição brasileira aqui está e venceu, significa dizer que o Brasil venceu”, destacou o ministro erguendo a réplica da Constituição durante o seu pronunciamento.

O livro foi levado por vândalos e depredado durante as invasões e depredações aos prédios na Praça dos Três Poderes.

A réplica ficava em exposição no Salão Branco da Suprema Corte.