O Acre está entre os estados contemplados pelo programa Restaura Amazônia, que vai destinar R$ 150 milhões em recursos do Fundo Amazônia para transformar áreas degradadas em florestas produtivas.
A iniciativa beneficia assentamentos rurais e comunidades da Amazônia Legal, com o objetivo de promover desenvolvimento sustentável, segurança alimentar e geração de renda.
O resultado foi debatido durante evento realizado em Brasília, na última semana, com a presença de autoridades, representantes de entidades ambientais e gestores públicos.
Na macrorregião 1, que abrange Acre, Amazonas e Rondônia, foram selecionados os projetos das entidades Ação Ecológica Guaporé (Ecoporé), Associação SOS Amazônia, Greendata Centro de Gestão e Inovação Socioeconômica e Ambiental, Instituto de Conservação e Desenvolvimento Sustentável da Amazônia (Idesam), Fundação Parque Tecnológico Itaipu Brasil (Itaipu Parquetec) e União das Cooperativas da Agricultura Familiar e Economia Solidária de Rondônia (Unicafes).
O processo de seleção foi conduzido pelo Instituto Brasileiro de Administração Municipal (Ibam), parceiro gestor designado pelo BNDES para coordenar a região.
Os investimentos fazem parte de uma estratégia nacional que busca estimular o reflorestamento produtivo com espécies nativas, como açaí, cacau, dendê e cupuaçu, mostrando que a floresta em pé pode ser economicamente mais rentável que o desmatamento.
A previsão é que os projetos beneficiem assentamentos em áreas do Arco do Desmatamento, recuperando hectares de vegetação nativa e fortalecendo a agricultura familiar.
Até o momento, o Restaura Amazônia já lançou quatro chamadas públicas de projetos, cada uma com três editais publicados pelos parceiros gestores, um para cada macrorregião.
As primeira e quarta chamadas, financiadas com recursos do Fundo Amazônia e da Petrobras, priorizam iniciativas em unidades de conservação.
Já a segunda e a terceira chamadas, com recursos exclusivos do Fundo Amazônia, têm foco em assentamentos da reforma agrária e terras indígenas, respectivamente.
Na primeira chamada, foram selecionadas nove propostas voltadas a unidades de conservação, com investimentos de R$ 68,9 milhões e meta de restaurar 3.571 hectares de florestas.
De acordo com o BNDES, gestor do Fundo Amazônia, a estimative é que o conjunto total de editais já lançados somará R$ 450 milhões em investimentos para a recuperação ambiental e regularização fundiária na Amazônia Legal.
Expectativas
No Acre, a expectativa é que as ações impulsionem a restauração de áreas degradadas e consolidem o estado como referência em florestas produtivas, integrando conservação ambiental com desenvolvimento socioeconômico sustentável.

A ministra do Meio Ambiente e Mudança do Clima, Marina Silva, ressaltou que o programa Restaura Amazônia representa um marco nas ações de combate ao desmatamento e na consolidação de um modelo de desenvolvimento sustentável na Amazônia.
Segundo ela, a restauração de áreas degradadas por meio de espécies produtivas demonstra que é possível unir conservação ambiental e geração de renda. “A restauração produtiva faz com que a gente tenha as florestas produtivas”, afirmou.
Marina também destacou a importância da COP30, que será realizada em Belém, como um momento decisivo para fortalecer o compromisso global com a preservação da floresta e a justiça climática.
“A gente quer mostrar que é possível um novo ciclo de prosperidade e, dessa vez, sem deixar ninguém pra trás… A COP30 haverá de sair de Belém com novas bases para que a gente faça o enfrentamento da mudança do clima”, completou a ministra.