Investimento para salvar a Amazônia é só 3% do necessário, alerta novo roteiro

Redação Portal Norte

Um plano para direcionar investimentos em conservação e desenvolvimento sustentável para a Amazônia foi apresentado nesta sexta-feira (4) à presidência brasileira da 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP30).

A proposta, entregue em Brasília durante um encontro com Ana Toni, diretora executiva da COP30, visa consolidar uma economia verde na região e fortalecer a capacidade de implementar ações sustentáveis.

Intitulado “Ampliando o Financiamento de Soluções Baseadas na Natureza para Proteger a Amazônia: Um Roteiro de Ação”, o documento não apenas sugere uma nova estrutura para fluxos de financiamento climático, mas também destaca a necessidade urgente de recursos para evitar o temido “ponto de não retorno” do bioma.

Financiamento da Amazônia

A iniciativa partiu de sete organizações sociais com mais de 30 anos de atuação na Amazônia. diretor sênior de políticas públicas e incentivos da Conservação Internacional (CI), Gustavo Souza, explica que a ideia é dar maior visibilidade ao tema da Amazônia e intensificar a interação com setores como o privado e o financeiro.

A urgência do financiamento para a maior floresta tropical do mundo ganhou destaque com dados do Banco Mundial. Apesar de a Amazônia injetar anualmente pelo menos US$ 317 bilhões na economia, os investimentos para sua preservação somaram apenas US$ 5,81 bilhões entre 2013 e 2022.

A estimativa é que seriam necessários, no mínimo, US$ 7 bilhões anuais para manter o ecossistema saudável.

Esse valor é crucial para evitar que a Amazônia atinja um ponto crítico, no qual cientistas preveem a conversão de áreas da floresta em savana, uma drástica alteração no regime de chuvas e a extinção de espécies devido às mudanças climáticas.

Souza ressalta que apenas 3% desses investimentos foram destinados a soluções baseadas na natureza para mitigar os efeitos das mudanças climáticas, e apenas 11% para adaptação de infraestruturas locais.

“Nós não chegamos nem a 10% dos recursos necessários para evitar o ‘tipping point’ da Amazônia e combater o desmatamento”, lamenta Souza. “Essa carta visa endereçar parte dessa lacuna de financiamento para a Amazônia com soluções inovadoras e ambiciosas.”

Soluções Inovadoras e Combate ao Desmatamento

Entre as sugestões apresentadas, destacam-se:

  • Redirecionamento de subsídios de cadeias produtivas de alta emissão para a economia verde;
  • Rastreabilidade produtiva com o uso de tecnologias como imagens de satélite;
  • Promoção do pagamento por serviços ambientais;
  • Combate à economia ilegal transnacional, incluindo tráfico de animais, bens e especulação imobiliária com apropriação de terras públicas.

Um dos instrumentos-chave para viabilizar essas ações é o Fundo Florestas Tropicais para Sempre (TFFF). O fundo projeta captar US$ 5 bilhões em doações anuais, com US$ 2 bilhões destinados especificamente à Amazônia.

“Isso é quatro vezes mais do que todo o fluxo financeiro anual que tivemos nos últimos 10 anos”, enfatiza Gustavo Souza.

A partir dessas iniciativas, a proposta é que a COP30 resulte em uma Declaração Global pela Amazônia, onde os países da Convenção do Clima se comprometam a garantir que o bioma continue sendo uma força vital no combate às mudanças climáticas.

James Deustch, diretor executivo da Rainforest Trust, reforça a importância de fortalecer os povos indígenas e as comunidades locais, considerados os verdadeiros guardiões da floresta.

“A primeira COP do clima a ser realizada na maior floresta tropical do mundo deve assumir compromissos concretos de apoio financeiro e político para que a Amazônia e as demais florestas tropicais do planeta continuem a armazenar e capturar carbono com segurança”, finaliza Deustch.