O Grupo de Trabalho Interministerial para Mitigação e Reparação dos Efeitos do Tráfico de Drogas se reuniu, na última quarta-feira (11), em Brasília (DF), para debater estratégias de enfrentamento ao tráfico de drogas e seus impactos nas comunidades indígenas.
Durante o encontro, foram discutidas:
- A criação de novos Centros de Acesso a Direitos e Inclusão Social (Cais) voltados aos Povos Indígenas;
- O fortalecimento do desenvolvimento alternativo como política pública preventiva;
- A elaboração de um índice que mensure a vulnerabilidade das populações indígenas diante do crime organizado.
A secretária de Política sobre Drogas e Gestão de Ativos do Ministério da Justiça, Marta Machado, ressaltou a importância de criar espaços públicos que promovam acolhimento, diálogo e pesquisas sobre as realidades das populações amazônicas.
“Precisamos de espaços que promovam o pensamento crítico e a escuta ativa sobre os impactos que esses territórios vêm enfrentando”, ressaltou.

O Grupo de Trabalho é coordenado pela Secretaria Nacional de Política sobre Drogas e Gestão de Ativos (Senad) e conta com representantes de diversos ministérios, como Povos Indígenas, Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar, Assistência Social, Direitos Humanos, Educação, Igualdade Racial, Meio Ambiente e Saúde.
Marta destacou ainda os esforços da Senad para fortalecer a pesquisa e o monitoramento da região, anunciando a criação de um espaço dedicado a abrigar estudos focados nas dinâmicas do tráfico na Amazônia e seus efeitos sobre as populações locais, especialmente os indígenas.
Esse espaço funcionará como um repositório de dados e estudos, além de fomentar uma rede de pesquisadores atuantes na região. “Atualmente, os estudos estão dispersos, sem uma sistematização clara do que sabemos e do que ainda precisamos entender sobre essas realidades”, explicou.
A coordenadora da Estratégia Povos Indígenas na Política sobre Drogas, Lara Montenegro, explicou que o Cais Povos Indígenas visa fortalecer a resistência das comunidades contra o uso abusivo de drogas e a influência do tráfico em seus territórios. A escolha dos locais para instalação dos CAIs considera a vulnerabilidade das comunidades diante desses problemas.
“O Cais é um serviço territorial que integra saúde, assistência social, segurança e promoção de direitos para enfrentar os efeitos do tráfico nas comunidades indígenas”, reforçou Lara.