O novo recorte do Censo Demográfico 2022 evidencia a dimensão das áreas informais no Amazonas e a complexidade dos desafios urbanos enfrentados pelo estado.
Segundo o levantamento do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatistica (IBGE), o território amazonense abriga algumas das maiores comunidades do país, com destaque para duas regiões da Zona Leste de Manaus, Cidade de Deus/Alfredo Nascimento e São Lucas, que figuram entre as mais populosas do Brasil, ambas superando os 50 mil habitantes.
No total, mais de 453 mil domicílios estão inseridos em áreas classificadas como favelas ou comunidades urbanas. Esse número representa cerca de 1,4 milhão de moradores vivendo em condições informais.
Manaus concentra a maior parte dessas áreas: das 398 comunidades identificadas em todo o estado, seis em cada dez estão na capital, que também reúne a maior quantidade de casas nesse contexto.
As regiões com maior número de moradias são São Lucas, Cidade de Deus/Alfredo Nascimento e Zumbi dos Palmares/Nova Luz.
Já localidades como Distrito Industrial, Rua Atleta e a comunidade Janjão aparecem com os menores registros de domicílios.
A Zona Leste continua sendo o principal polo populacional dessas áreas, reunindo algumas das comunidades mais densamente ocupadas.
A pavimentação está presente na maior parte das vias, embora a capacidade de circulação seja limitada, em que poucas ruas acomodam grande fluxo de veículos leves, apesar de um número expressivo permitir o tráfego de caminhões e ônibus.
A mobilidade aparece como uma das principais fragilidades. Apenas uma pequena parcela das residências dispõe de ponto de ônibus ou van na própria via, o que dificulta o deslocamento diário dos moradores.
As calçadas estão presentes em menos de três quartos dessas áreas, percentual inferior ao observado em bairros planejados. A acessibilidade também é limitada, com escassez de rampas adequadas para pessoas com deficiência.
A iluminação pública apresenta ampla cobertura, embora ainda não alcance os índices das áreas formais. Em algumas comunidades, como Zumbi/Nova Luz, a proporção de vias iluminadas se aproxima dos melhores patamares registrados na capital.
Já a arborização permanece reduzida: pouco mais de um terço das vias possui árvores, enquanto localidades como Grande Vitória, Santa Etelvina e Zumbi/Nova Luz mostram indicadores mais consistentes.