A Justiça do Amazonas negou o pedido de prisão preventiva feito pela Polícia Civil contra a médica Juliana Brasil Santos, investigada pela morte do menino Benício Xavier, de 6 anos.
O caso ocorreu no último fim de semana, após o garoto receber adrenalina de forma equivocada em um hospital particular de Manaus. A decisão judicial também impediu buscas na casa da médica, frustrando solicitações feitas pelo delegado responsável.
Nesta sexta-feira (28), a médica e a técnica de enfermagem que aplicou a medicação prestam depoimento no 24º Distrito Integrado de Polícia (DIP), no Centro.
Justiça concede habeas corpus e barra prisão preventiva
O pedido de prisão foi analisado pela desembargadora Onilza Abreu Gerth, que concedeu um habeas corpus à defesa da médica.
Na decisão, a magistrada determinou:
- Impedir qualquer ordem de prisão preventiva contra Juliana Brasil Santos;
- Suspender mandados de busca e apreensão solicitados pela Polícia Civil para apreender o celular e documentos da médica;
- Vetar medidas consideradas invasivas no atual estágio da investigação.
A defesa alegou que não há fundamentos para medidas restritivas e que a médica está colaborando com o inquérito.
Polícia apura conduta
Segundo o delegado Marcelo Martins, responsável pelo caso, a investigação aponta para homicídio doloso, com dolo eventual, sob o entendimento de que a médica teria assumido o risco de causar a morte ao prescrever adrenalina ao menino.
Com a decisão do Tribunal, nenhum mandado pode ser cumprido neste momento.
Médica e técnica prestam depoimento, mas evitam imprensa
A médica e a técnica de enfermagem chegaram ao 24º DIP acompanhadas por advogados e não quiseram falar com a imprensa.
As duas permanecem sendo ouvidas pela equipe de investigação e não responderam a questionamentos no local.
Defesa aponta erro da técnica de enfermagem e falha no sistema
No habeas corpus, a defesa da médica afirma que:
- A prescrição estava correta e indicava nebulização para tratar faringite;
- O erro teria ocorrido quando a técnica de enfermagem aplicou a adrenalina por via intravenosa;
- O sistema informatizado do hospital teria alterado automaticamente a via de administração para “injetável” e até exibido o nome de outro médico na prescrição.
Os advogados também sustentam que Juliana agiu rapidamente após perceber o equívoco, solicitando um antídoto e acompanhando a transferência do menino para a UTI.
Testemunha afirma que médica demorou a socorrer o menino
Uma testemunha — pai de outra criança atendida no mesmo setor — relatou à Polícia Civil que a técnica de enfermagem, ao notar a reação imediata após aplicar a adrenalina, correu até a sala da médica pedindo ajuda.
Ainda assim, segundo o depoimento, a médica demorou a comparecer ao local onde Benício estava.
O delegado Marcelo Martins afirmou que ainda deve ouvir mais pessoas e analisar documentos do hospital. Os pais do menino já foram ouvidos, assim como a testemunha-chave citada.
Benício Xavier morreu na madrugada de domingo após sofrer uma overdose de adrenalina, e o caso segue gerando grande repercussão social.

