Feminicídio no Amazonas e Rondônia crescem e superam média nacional; veja dados

Redação Portal Norte

Os estados do Amazonas e Rondônia registraram, em 2024, as maiores taxas de feminicídio do Brasil, segundo o novo Anuário Brasileiro de Segurança Pública. Com índices de 6,4 e 6,1 mortes por 100 mil mulheres, respectivamente, os estados superam quase o dobro da média nacional, que é de 3,8.

A realidade acende um alerta sobre a violência de gênero na Região Norte, que também lidera indicadores de agressões domésticas. No Amazonas, por exemplo, 57% das mulheres afirmaram já ter vivido situações de violência doméstica, bem acima da média nacional, de 48%.

Os dados foram divulgados em meio à campanha Agosto Lilás, promovida pelo Ministério das Mulheres para conscientizar e combater a violência doméstica e o feminicídio em todo o país.

Brasil bate recorde de feminicídios

Em todo o país, 2024 já é o ano com maior número de feminicídios registrados desde 2015, quando o crime foi tipificado. Foram 1.492 mulheres assassinadas por razões de gênero, o que equivale a uma média de quatro mortes por dia.

O crescimento foi de 0,7% em relação a 2023, o que mostra que o avanço da violência contra a mulher segue em ritmo preocupante, mesmo diante de campanhas e ações de combate.

Diante do cenário, o governo federal intensificou estratégias de enfrentamento por meio de campanhas nacionais como o Agosto Lilás e operações estaduais integradas com forças de segurança.

No Tocantins, por exemplo, está sendo realizada a operação Chamar, com o apoio da Secretaria da Mulher e da Secretaria dos Povos Originários e Tradicionais.

Campanhas e ações no enfrentamento

A campanha Agosto Lilás mobiliza todo o país com ações educativas, informativas e integradas para o enfrentamento da violência doméstica. No Norte, onde os índices são mais graves, a atenção tem sido redobrada.

O Ministério das Mulheres reforça a importância do uso dos canais de denúncia, como o Disque 180, que funciona 24 horas, e da atuação das redes de apoio às vítimas em estados com maior vulnerabilidade.

A proposta é garantir que as mulheres tenham segurança e apoio para denunciar e romper ciclos de violência, antes que os casos cheguem a extremos como o feminicídio.

A expectativa é de que, com o fortalecimento das ações locais e campanhas nacionais, os números comecem a cair nos próximos anos, especialmente nas regiões mais afetadas.