Mais do que palavras no papel, a escrita é ponte, é voz e é tato. No Dia Nacional do Escritor, celebrado em 25 de julho, a TV Norte Amazonas mostrou que, em Manaus, a literatura inclusiva tem sido ferramenta de transformação.
Instituída em 1960, a data surgiu durante o primeiro Festival do Escritor Brasileiro e é dedicada a quem desperta emoções, transporta leitores para outros mundos e contribui para a compreensão da vida, do outro e de si mesmo.
Literatura inclusiva transforma vidas em Manaus
Em Manaus, a comemoração teve um toque especial. A Biblioteca Braille do Amazonas recebeu escritores locais que decidiram escrever para todos — inclusive para quem lê com as mãos ou com os ouvidos.
“A importância da nossa biblioteca é poder apresentar aos nossos irmãos com deficiência visual o valor da leitura”, afirmou Gilson Mauro, diretor da Biblioteca Braille.

Esses escritores abraçaram a missão de tornar seus textos acessíveis. Com a colaboração de revisores e leitores cegos, suas obras são adaptadas para o braille e também para versões em áudio.
“A partir do momento em que compreendi que era nossa responsabilidade, como escritores, promover acessibilidade para as pessoas com deficiência visual, quis fazer parte disso”, disse a escritora Francina Lira.

A jornalista e escritora Rebeca Beatriz teve seu livro de romance adaptado para o braille em 2024. A expectativa é que a obra chegue às escolas estaduais nos próximos meses.
“A literatura não é só para quem enxerga. O livro em braille é uma das formas de garantir o acesso à informação e às histórias”, destacou Rebeca.

A Biblioteca Braille do Amazonas também funciona como um espaço democrático, onde leitores cegos podem descobrir o mundo através das pontas dos dedos.
“Aqui, oferecemos um ambiente onde todas as pessoas com deficiência visual podem ler e se conectar com o mundo”, reforçou Gilson Mauro.
Livro sobre geração familiar
Um dos destaques da celebração foi o cantor e escritor Edu do Banjo, que lançou um livro sobre três gerações de músicos da sua família.
A obra, agora adaptada para o braille, registra a história do pai Coraci Brasil, do próprio Edu e do filho Dudu Brasil, músicos que marcaram o samba amazonense.
“Meu pai, Coraci Brasil, tocou nos anos 50 a 70. Eu atuei dos anos 80 a 2015. E meu filho, Dudu Brasil, vem se destacando desde 2011..

Mais do que celebrar o escritor, o 25 de julho em Manaus reforçou o compromisso com uma literatura que inclui, alcança e transforma.