Pitbulls são mesmo perigosos? Caso em Manaus reacende debate sobre a raça

Redação Portal Norte

Por muito tempo, os pitbulls foi retratado como um cão agressivo, perigoso e imprevisível. Mas, aos poucos, esse estereótipo tem sido desafiado por famílias, criadores e especialistas que mostram o outro lado da história: o de um cão fiel, carinhoso e cheio de energia, que precisa de amor, disciplina e ambiente adequado.

A mudança de percepção é visível. Nas redes sociais, vídeos de pitbulls “babás” cuidando de bebês, brincando com gatos ou dormindo de conchinha com os donos se multiplicam.

Nas casas brasileiras, cresce o número de tutores que optam pela raça — ou por suas variações — em busca de um companheiro forte, leal e afetuoso.

Mas afinal, os pitbulls são realmente perigosos? Ou são apenas vítimas de preconceito e má criação?

Caso em Manaus reacende debate sobre pitbulls

O tema sobre a periculosidade dos pitbulls voltou aos holofotes após um ataque ocorrido em janeiro deste ano, em um condomínio na Avenida Torquato Tapajós, em Manaus.

Duas irmãs passeavam com seus cães de pequeno porte quando um pitbull escapou da guia e as atacou. A tutora tentou conter o animal, sem sucesso. As vítimas precisaram ser hospitalizadas.

O episódio acendeu o alerta e reacendeu a velha discussão sobre os riscos de criar cães da raça.

Caso aconteceu em janeiro deste ano, em um condomínio residencial na Av. Torquato Tapajós

Para Victor Castro, criador especializado, muitos desses acidentes não envolvem pitbulls puros — e sim animais que são erroneamente identificados como tal:

“Muitos dos ataques que acontecem nem são com pitbulls de fato. Só conseguimos saber se é realmente da raça com o pedigree do animal. E, na maioria das vezes, o problema é o mau manuseio por parte do tutor”, afirma Victor.

A culpa é do tutor ou da raça?

A ciência também reforça essa ideia. Segundo José Bentes, médico veterinário, o ambiente e a criação são os fatores determinantes para o temperamento de qualquer cão — independentemente da raça:

“A responsabilidade é do tutor. Falta de atividade física, falta de socialização, ausência de brincadeiras e até descaso emocional influenciam diretamente no comportamento do animal”, explica.

Bentes defende a implementação de leis de posse responsável como forma de garantir a segurança e o bem-estar dos cães e da sociedade:

“Tudo o que o animal fizer é responsabilidade do tutor. E ele deve ser responsabilizado legalmente”, afirma.

Nem todos os estados compartilham da mesma visão. Em Santa Catarina, um novo decreto proibiu a criação, comercialização e até mesmo a circulação de pitbulls e raças derivadas. A decisão gerou polêmica entre tutores e defensores da causa animal.

Quem desrespeitar pode ser multado em até R$ 10 mil, além de perder o animal.

“Primo” tranquilo do pitbull ganha popularidade

Em Manaus, um grupo de criadores, veterinários e treinadores atua para desmistificar pitbulls e promover a criação responsável.

Eles trabalham com o chamado Pitmonster, uma linhagem que nasceu do cruzamento entre pitbull e bulldog, resultando no agora reconhecido Brazilian Bull.

Segundo Victor Castro, o foco está no temperamento equilibrado.

“São animais maiores, de grande porte, mas com um perfil mais calmo. Lembram o pitbull, mas são criados justamente para ser cães de companhia. Se bem treinados, convivem muito bem com pessoas e até outros animais”, explica.

Seja pitbull, vira-lata ou qualquer outra raça, especialistas reforçam: cães precisam de regras, atividades físicas, interação e vínculo com o tutor.

Quando essas necessidades são atendidas, o resultado é sempre o mesmo: um cão saudável, sociável e feliz. Na dúvida, a regra é clara: o problema não está no cachorro. Está na forma como ele é criado.

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