Festival de Parintins: confira o resumo da estreia marcada por emoção entre Caprichoso e Garantido

Redação Portal Norte

A disputa entre os bois Caprichoso e Garantido no Festival Folclórico de Parintins teve início oficial na noite dessa sexta-feira (27), reunindo milhares de pessoas na arena do Bumbódromo.

O espetáculo começou às 20h, com a entrada de representantes dos bois rivais e que dão vida ao maior festival a céu aberto do mundo.

No centro da arena, Thais Kokama, representando o azul e branco do Caprichoso, e Márcia Siqueira, a rosa vermelha do Garantido, dividiram o espaço na execução do Hino Nacional Brasileiro.

Logo em seguida, os grupos artísticos Corpo de Dança Caprichoso (CDC) e Garantido Show apresentaram uma introdução intercalada de toadas, marcando o tom da festa que se estende por três noites de celebração cultural.

O público se encantou com o espetáculo de luzes e fogos que antecedeu o início das apresentações.

Coube ao Garantido abrir a primeira noite, com o tema “Somos o Povo da Floresta”.

Garantido abre primeira noite

O boi vermelho impressionou com quatro grandes alegorias, cerca de 300 batuqueiros e aproximadamente 1.500 brincantes, criando uma atmosfera de celebração e resistência amazônica.

A noite começou com o levantador de toadas David Assayag, item 2, surgindo sobre uma alegoria atéo centro da arena.

Logo depois, o apresentador Israel surgiu no meio de um coração na arquibancada encarnada, comandando a tradicional contagem regressiva que antecede a entrada triunfal do boi.

Pontos altos e baixos

Entre as cenas mais marcantes, o Garantido apareceu emergindo de uma serpente gigante, descendo e evoluindo ao som de “Décima Oitava Evolução”.

A animação da galera vermelha foi intensa, embalando cada toada e transformando a arena em um grande coral.

Outro ponto alto da noite foi as alegorias que exaltavam os povos originários e a diversidade cultural da Amazônia.

Alegoria do boi Garantido em sua primeira noite – Foto: Mauro Neto/Seco.

Apesar do entusiasmo e dos momentos de pura emoção, um dos pontos mais criticados da noite foi a performance da Cunhã-Poranga Isabelle Nogueira, item 9.

Durante a apresentação, a personagem se transformou em uma quimera que lembrava uma onça.

Cunhã-Poranga Isabelle Nogueira – Foto: Mauro Neto/Secom.

Apesar da coreografia bem executada, a fantasia dividiu opiniões e recebeu críticas pela qualidade da concepção visual.

Ainda assim, o boi Garantido encerrou sua participação da noite com energia máxima e participação vibrante do público, que promete manter o clima de disputa até o último dia do festival.

Boi Caprichoso encerra primeira noite

O espetáculo foi aompanhado de três grandes alegorias e dois módulos alegóricos, criando uma atmosfera que logo se pintou em tons de azul e branco com a chegada de 300 marujeiros.

Com uma entrada triunfal, o Boi Caprichoso deu início ao seu espetáculo na arena do Bumbódromo apresentando o tema “Amypaguana: retomada pelas lutas”.

Logo no início, o apresentador Edmundo Oran, item 1, desceu dos céus em uma performance ao lado do levantador de toadas Patrick Araújo, item 2.

O touro negro estava com eles e surgiu do alto para sua evolução.

Ao som da trilha “O Levante da Vida”, o boi iniciou sua jornada pela arena e, em seguida, surgiu de dentro de uma estrela no meio da galera azulada.

Boi Caprichoso no meio da galera – Foto: Mauro Neto/Secom.

O Caprichoso levou para o centro da apresentação lideranças e personalidades indígenas, destacando a toada que abordou temas como o marco temporal e a demarcação de terras, enfatizando a luta e a retomada ancestral, parte do enredo defendido pela agremiação nesta temporada.

A tradicional encenação do auto do boi também marcou presença, enriquecendo ainda mais a apresentação.

Pontos altos e baixos

Entre os pontos altos, o Caprichoso mostrou mais uma vez ousadia na concepção de alegorias e efeitos especiais que impressionaram pela dimensão e pelo realismo, criando uma experiência imersiva para o público.

As toadas apresentadas se mostraram bem contextualizadas e funcionaram com força na arena.

No entanto, alguns deslizes não passaram despercebidos. A transformação da Cunhã-Poranga Marciele Munduruku, item 9, em uma águia foi apontada por parte dos torcedores como menos impactante.

Marcielle Munduruku na primeira noite de festival – Foto: Mauro Neto/Secom.

Alem disso, chegou a ser comparada com a performance de Isabelle Nogueira no ano anterior.

Outros detalhes sobre a execução de itens de ambos os bois também geraram comentários e expectativas.

Próximos dias

O verdadeiro impacto dessas escolhas, inovações e eventuais falhas será conhecido apenas no momento da apuração dos votos, quando as notas serão reveladas.

Ao longo do fim de semana, Caprichoso e Garantido seguem na arena em busca do título de campeão e da consagração definitiva na história do Bumbódromo de Parintins.