Um estudo publicado na revista Behavioural Processes revelou um hábito peculiar do boto-cor-de-rosa da bacia Amazônica que indica a forma como a espécie se comunica, o que antes era visto como inexistente: lançar jatos de urina para o alto enquanto nadam de barriga para cima.
Observado em machos do rio Tocantins, o comportamento foi registrado 36 vezes durante 219 horas de pesquisa liderada por cientistas brasileiros e internacionais.
Pesquisadores do Grupo CetAsia (Canadá), Universidade Oregon State (EUA) e Universidade Trent (Canadá) monitoraram os botos a partir de plataformas de 15 metros de altura às margens do rio Tocantins.
Boto se comunica com xixi?
Em vídeo é possível ver um dos animais virando-se de barriga para cima, expondo o pênis e liberando um jato de urina que respinga até em sua própria cabeça.
Para Claryana Araújo-Wang, coautora do estudo, o comportamento é novo. “Ficamos muito chocados, pois era algo que nunca tínhamos visto antes”, disse Wang em entrevista à revista New Scientist.
Os cientistas acreditam que o gesto tenha função social, semelhante à marcação de território em animais terrestres. Ao lançar a urina, os botos podem estar transmitindo informações sobre tamanho, saúde ou status social para rivais. Outros machos observados seguiram o rastro do líquido com o focinho, como se “lêssem” os sinais químicos.
Veja vídeo da News Scientist:
Estudo sobre o boto-cor-de-rosa
O estudo abre novas perguntas sobre a complexidade social do boto-cor-de-rosa, espécie icônica da Amazônia. Além disso, a próxima fase da pesquisa analisará a composição química da urina para identificar possíveis “mensagens” e comparará o comportamento em outras regiões.
Enquanto a ciência avança, turistas que nadam com botos machos devem ficar atentos: um jato de xixi perdido pode ser o preço de participar, sem querer, dessa intrigante conversa subaquática.