CNJ lança materiais sobre audiências de custódia nas línguas Nheengatu, Baniwa e Tukano, no AM

Materiais sobre audiências de custódia serão lançados em três línguas indígenas em São Gabriel da Cachoeira, Amazonas.
Redação Portal Norte

Representantes do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) vão lançar, na próxima sexta-feira, 29, materiais informativos sobre audiências de custódia nas línguas Nheengatu, Baniwa e Tukano, em São Gabriel da Cachoeira, a 852 km de Manaus.

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O lançamento contará com a presença de 23 povos indígenas que compõem a Federação das Organizações Indígenas do Rio Negro (FOIRN), representantes do Instituto Socioambiental (ISA), do CNJ, do Tribunal de Justiça do Amazonas (TJAM) e de outros órgãos do sistema de Justiça e do Poder Executivo.

Os oito cartazes foram traduzidos em parceria com do ISA e FOIRN, a partir de materiais em versões em português. Eles já debatem ampliar a tradução para outras línguas indígenas.

Os cartazes esclarecem sobre o passo a passo desde o momento da prisão até a audiência de custódia e também abordam temas como direitos das pessoas presas, medidas cautelares, monitoração eletrônica, além de temas como maus-tratos e violência.

O CNJ também discutirá durante o evento sobre questões relativas à privação de liberdade na região com lideranças indígenas e locais.

De acordo com dados do Departamento Penitenciário Nacional, o Brasil possui cerca de 670 mil pessoas privadas de liberdade, sendo 3,1 mil pessoas indígenas.

Em regiões com população predominantemente indígena, como é o caso de São Gabriel da Cachoeira, com 74% de população indígena segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a barreira linguística foi identificada como uma das maiores dificuldades para a promoção dos direitos de pessoas custodiadas.

“Eliminar barreiras linguísticas aos povos indígenas vai além do respeito à diversidade, representando um necessário alinhamento a normativas nacionais e internacionais para que essas brasileiras e esses brasileiros conheçam os seus direitos”, explica o supervisor do Departamento de Monitoramento e Fiscalização do Sistema Carcerário e do Sistema de Execução de Medidas Socioeducativas do CNJ, conselheiro Mauro Martins. 

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