O comércio de Rio Branco, capital do Acre, entra no primeiro semestre de 2026 com expectativa predominantemente positiva, embora ainda cercada de cautela.
É o que revela o relatório da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado do Acre (Fecomércio-AC), elaborado em parceria com o Instituto DataControl, a partir de pesquisa realizada em janeiro deste ano com 112 empresários e dirigentes comerciais da capital acreana.
Segundo o levantamento, 57,1% dos entrevistados acreditam em um cenário favorável para as vendas nos primeiros seis meses do ano.
Outros 33% avaliam que o desempenho deve se manter estável, enquanto 9,8% demonstram preocupação com possível retração.
Os segmentos ouvidos incluem, principalmente, vestuário, serviços, lojas de variedades, acessórios, supermercados e materiais de construção, além de outros ramos do comércio e serviços.
A confiança também aparece na avaliação sobre o desempenho da economia nacional. Para 69,6% dos empresários, o segundo semestre de 2026 deve ser marcado por crescimento econômico. Já 17,9% mantêm baixa expectativa, e 12,5% preferiram não opinar sobre o cenário macroeconômico.
Para impulsionar as vendas, os comerciantes de Rio Branco apontam estratégias variadas. Promoções e campanhas de desconto aparecem entre as ações mais citadas, seguidas por maior investimento em propaganda e melhoria na qualidade do estoque.
Também são mencionadas a adoção de preços mais competitivos, ampliação de prazos de pagamento e, em menor escala, oferta de crédito e ações promocionais com sorteios.
Apesar do otimismo, o relatório da Fecomércio-AC destaca fatores que geram apreensão. A escassez de recursos circulando na economia local é a principal preocupação para 32,2% dos entrevistados.
A carga tributária elevada também pesa na avaliação de 24,2%, por impactar diretamente os preços e o poder de compra dos consumidores. O endividamento da população surge como outro obstáculo relevante, citado por 20,1% dos empresários.
O estudo também abordou temas estruturais, como a reforma tributária, a taxa Selic e o desempenho recente do comércio.
Para 44% dos entrevistados, a reforma deve manter o cenário atual, enquanto parte teme aumento de impostos ou novas exigências contábeis.
Em relação aos juros altos, muitos empresários afirmam reduzir empréstimos e financiamentos, e uma parcela significativa admite não saber como equilibrar os custos financeiros com a operação do negócio.
Ao avaliar o ano de 2025, a maioria dos comerciantes classificou as vendas como regulares, embora parte tenha percebido melhora em relação a 2024.
A pesquisa também aponta que ações promocionais e qualidade no atendimento foram decisivas para o desempenho recente, reforçando a importância da gestão e do relacionamento com o cliente no comércio local.
As informações constam no relatório da Fecomércio-AC, que traça um panorama detalhado das expectativas, desafios e estratégias do comércio de Rio Branco para o início de 2026.