Comunidades ribeirinhas e indígenas de difícil acesso no Acre voltam a receber atendimento médico especializado com a realização da 26ª edição da Operação “Acre”, missão humanitária coordenada pela Marinha do Brasil.
Iniciada em janeiro de 2026, a ação utiliza o Navio de Assistência Hospitalar (NAsH) Doutor Montenegro para levar serviços de saúde a populações que vivem ao longo do Rio Juruá, uma das regiões mais isoladas do estado.
Ao longo de quatro meses, o navio percorrerá localidades acreanas situadas às margens do Juruá, oferecendo consultas médicas e odontológicas, exames, pequenos procedimentos cirúrgicos, além da distribuição gratuita de medicamentos.
A previsão é que a operação siga até maio de 2026, beneficiando milhares de moradores que enfrentam dificuldades históricas de acesso a serviços básicos de saúde.
O NAsH Doutor Montenegro funciona como um hospital flutuante, equipado com consultórios, laboratório, sala de trauma, enfermarias, farmácia e espaços destinados a exames de imagem, como mamografia e raio X.

A estrutura permite atendimentos completos, reduzindo a necessidade de deslocamentos longos até centros urbanos.
Para vencer os desafios impostos pela geografia amazônica, o navio conta com sistemas de comunicação via satélite e o apoio de quatro lanchas auxiliares, utilizadas para alcançar comunidades onde o acesso é limitado ou inexistente por via terrestre.
A missão partiu de Manaus na segunda-feira (12), após a desatracação da Estação Naval do Rio Negro, e segue rumo ao interior da Amazônia com uma tripulação formada por 82 militares.
Do total, 19 integram a equipe de saúde, composta por médicos, dentistas, farmacêutico e profissionais técnicos das áreas de enfermagem, radiologia e saúde bucal.
Realizada em parceria com o Ministério da Saúde, a Operação “Acre” conta, pelo segundo ano consecutivo, com a participação da organização não governamental Américas Amigas, responsável pela análise dos exames de mamografia realizados a bordo.
Segundo a Marinha, a iniciativa fortalece o diagnóstico precoce do câncer de mama entre mulheres que vivem em áreas remotas do Acre.
Além dos atendimentos clínicos, a operação também desenvolve ações preventivas, como palestras educativas, orientações em saúde e atividades de promoção da cidadania.
Militares de outras organizações subordinadas ao Comando do 9º Distrito Naval reforçam a força-tarefa, que busca integrar ações de saúde pública e presença do Estado na Região Amazônica.
A expectativa da Marinha é atender cerca de 20 mil pessoas até o encerramento da missão, ampliando o alcance da assistência médica e contribuindo para a melhoria da qualidade de vida das populações ribeirinhas e indígenas do Acre.