Três caçadores somem em área de floresta densa e mobilizam operação de busca no Acre

Redação Portal Norte

Uma operação de resgate foi iniciada na região de Porto Walter, no Vale do Juruá, após o desaparecimento de três moradores que haviam deixado a comunidade Matrinchã para uma caçada na segunda-feira (8).

Desde então, não houve mais notícias de Kenedy Ferreira do Nascimento, 30, Antônio José Dantas Lima, 32, e Cleisson Feitosa, 42.

Os bombeiros de Cruzeiro do Sul chegaram à localidade na tarde de quarta-feira (10), após um longo deslocamento por rio, marcado por chuva intensa e trechos de difícil acesso.

A equipe relatou que a família informou que o trio havia saído pela manhã levando apenas mantimentos básicos, o que indica que pretendiam concluir a caçada ainda no mesmo dia.

Segundo relatos repassados aos militares, um dos homens havia avistado um grupo de queixadas no dia anterior e decidiu retornar acompanhado dos amigos para tentar capturar os animais. Porém, o tempo previsto para retorno não se confirmou, aumentando a preocupação dos moradores.

“Ontem à noite a família entrou em contato avisando desta situação. A informação que temos é que esses caçadores saíram na manhã de segunda-feira na busca de queixadas e tinha a previsão de que eles retornassem no mesmo dia. Eles não levaram lanternas e outros materiais para pernoitar na selva. De posse dessa informação, fizemos a coleta dos dados e encaminhamos equipes para iniciar as buscas”, disse o Major Josadac Cavalcante.

Major Josadac Cavalcante – Foto: TV Norte

Segundo informações, antes mesmo da chegada da corporação, moradores da aldeia e comunidades próximas iniciaram por conta própria uma varredura nas áreas de mata.

Pelo menos 12 voluntários percorreram trilhas e igarapés próximos ao Rio Nilo, na tentativa de identificar qualquer sinal do grupo, mas não obtiveram sucesso.

A partir das primeiras informações coletadas com a família, o Corpo de Bombeiros organizou uma equipe de quatro militares, que partiu ainda na madrugada de quarta-feira.

O deslocamento exigiu cerca de 200 km de navegação e horas de caminhada por mata fechada até alcançar a região onde os caçadores teriam sido vistos pela última vez.

A área de busca é considerada complexa devido à vegetação densa e às condições climáticas dos últimos dias. A corporação trabalha com um mapeamento detalhado de igarapés, córregos e possíveis rotas de deslocamento, utilizando GPS e cartas da região para definir setores de atuação.

Equipes percorrem área de mata fechada no Vale do Juruá enquanto famílias e moradores ajudam nas buscas – Foto: Reprodução/CBMAC

A orientação segue uma lógica conhecida entre equipes de resgate: pessoas perdidas em área de selva tendem a seguir cursos d’água em direção a rios maiores, onde geralmente há presença de comunidades.

Apesar de viverem na região e conhecerem as trilhas, a instabilidade do clima pode ter dificultado a navegação natural pela floresta. A neblina e os dias consecutivamente nublados atrapalham a orientação pela posição do sol, método frequentemente usado pelos caçadores locais.

As buscas em terra começam nesta quinta-feira (11), com apoio de moradores, enquanto a corporação segue monitorando a área na tentativa de encontrar pistas que indiquem o trajeto do trio. A expectativa é que o trabalho avance ao longo do dia, à medida que novas áreas forem percorridas.