A psicóloga e empreendedora social Taís Oliveira, que atua há anos no Alto Acre, tornou públicas uma série de evidências, vídeos, áudios e conversas criptografadas, que, segundo ela, envolvem episódios de intimidação, agressões verbais e uso indevido da estrutura administrativa por membros do alto escalão da Prefeitura de Epitaciolândia.
As acusações surgiram após a profissional apontar uma suposta falha na contratação de coletores de resíduos municipais, alguns deles em situação de dependência química ou com histórico de conflito com a lei, sem que tivessem recebido acompanhamento, treinamento ou estrutura adequada para exercer a função com segurança.
Segundo a psicóloga, a denúncia foi motivada após ela ter sido ameaçada por dois trabalhadores durante a coleta de lixo em frente ao seu consultório.
Mesmo assim, afirma que o foco de sua crítica não era dirigido aos coletores, mas à falta de preparo e suporte oferecido a eles.
Taís chegou a redigir e doar um programa completo de ressocialização ao município, cobrando sua implementação.
Repercussão e insegurança
Após publicar um pedido de ajuda em seu perfil profissional no Instagram, Taís relata que passou dias isolada em casa com sua filha, Agnes, que tem hidrocefalia e tetraplegia parcial, relatando a presença de carros em vigília e ligações silenciosas, o que acentuou seu sentimento de insegurança.
As publicações rapidamente alcançaram grande visibilidade e, segundo ela, as provas já circulam amplamente pela internet.
“Nesses últimos 30 dias, eu nunca imaginei que as coisas seriam tão sérias assim. (…) O que eu estou passando não desejo para ninguém. Em cada ação eu deixo claro que não estou atacando ninguém, estou defendendo minha filha. Não tenho envolvimento partidário com nada”, declarou.
Taís afirma ainda que foi alvo de campanhas de desinformação, tentativas de descredibilização profissional e ataques relacionados à sua saúde mental.
Ela atribui parte dessas ações a integrantes da própria gestão municipal, conforme aponta o material divulgado no perfil @consciussaudementalintegral.
Com o agravamento da situação, a psicóloga afirma que precisou fechar a clínica e suspender atendimentos, afetando dezenas de pacientes, muitos deles em acompanhamento contínuo. Ela e a filha deixaram Epitaciolândia alegando falta de segurança e ausência de medidas protetivas.
Abaixo-assinado pede audiência pública
Diante do caso, moradores e apoiadores lançaram um abaixo-assinado solicitando que a Câmara Municipal realize uma audiência pública para que Taís apresente as provas mencionadas e para que o Legislativo avalie possíveis irregularidades, assédio moral e abuso de autoridade.
O grupo afirma que o movimento não tem caráter político e que busca apenas transparência, além de medidas que garantam reparação dos danos alegados e melhorias nas condições de trabalho dos coletores. Segundo a mobilização, muitos cidadãos evitam se manifestar publicamente por medo de retaliação.
Taís reafirma que não possui ligação partidária e que não pretende concorrer a cargos públicos, enfatizando que seu único objetivo é restabelecer sua vida pessoal, profissional e garantir segurança para si e para a filha.