O Acre deu um passo importante para ampliar o cuidado com crianças nascidas com pé torto congênito, condição que atinge cerca de um em cada mil bebês no mundo, segundo dados da Biblioteca Virtual em Saúde.
A deformidade, que afeta ligamentos, músculos, tendões e ossos ainda durante a gestação, exige tratamento especializado desde os primeiros meses de vida.
Nesta segunda-feira (8), a Fundação Hospitalar Governador Flaviano Melo (Fundhacre) firmou um convênio com o Rotary Clube Rio Branco – Amazônia para criar o primeiro banco de órteses voltado a pacientes da rede estadual.
A iniciativa garante o fornecimento contínuo e gratuito dos dispositivos usados na fase de manutenção do tratamento pelo método Ponseti, prevenindo recidivas e assegurando a evolução adequada das crianças.
“Nós já trabalhamos com esse atendimento e temos um ambulatório específico para esses pacientes aqui no Acre, chamado Porta Aberta, que funciona na Fundhacre. Todos eles são tratados e, após isso, precisam da fase de órtese, que é a parte mais importante, a manutenção do pezinho corrigido”, explicou a médica ortopedista Pothyra Pascoal.

Segundo a especialista, cada paciente utiliza de quatro a cinco órteses durante o tratamento, que custariam aproximadamente R$ 1.000 cada se compradas individualmente.
“No Acre, muitos pacientes do interior não tinham condições de comprar, interrompendo o tratamento. Hoje é um dia histórico, pois conseguiremos garantir o tratamento completo de todas essas pessoas. Nosso objetivo é assegurar acesso integral para todos os pacientes do estado”, completou.
O convênio prevê a doação inicial de 60 órteses de abdução, essenciais para a manutenção do pé corrigido.
Segundo Isaías Ferreira, presidente do Rotary Clube de Rio Branco, a parceria é parte de um projeto global da organização, que inclui treinamento de profissionais e aquisição de órteses em todo o país, beneficiando milhares de atendimentos.

“Essa primeira leva vai atender aproximadamente 50 mil casos, garantindo que o tratamento seja contínuo e eficaz”, afirmou.
A presidente da Fundhacre, Soron Steiner, reforçou a importância do banco de órteses para agilizar o atendimento.
“Estamos criando um estoque para que os pacientes, assim que avaliados, tenham acesso imediato às órteses e acompanhamento completo. São dispositivos de alto custo, mas agora conseguimos levar o tratamento de forma mais célere e acessível a todos”, disse.

Com a parceria, o Acre se consolida como referência no atendimento a crianças com pé torto congênito, oferecendo soluções que transformam a qualidade de vida e reforçam o compromisso do estado com a saúde infantil.