O Acre encerrou novembro de 2025 com um cenário de alerta para a dengue. O estado acumulou 8,5 mil casos prováveis ao longo do ano, um crescimento superior a 88% em comparação ao mesmo período de 2024, quando pouco mais de 4,5 mil notificações haviam sido registradas.
A gestão acreana confirmou que ocorreram quatro mortes, enquanto no ano anterior não houve óbitos pela doença.
O contexto local contrasta com a tendência observada no restante do país. No Brasil, o número de casos prováveis chegou a 1,6 milhão, representando uma queda de 75% em relação ao ano anterior.
As mortes, 1,6 mil em 2025, também diminuíram, com redução de 72% nas ocorrências.
Perda para a cultura junina acreana
A situação epidemiológica ganha ainda mais destaque diante da morte da artista Nathy Lima, uma das principais representantes da cultura junina no estado. Ela faleceu na segunda-feira (1º), vítima de complicações de dengue hemorrágica, em Rio Branco.

Nathy era integrante da Quadrilha Junina Pega-Pega e reconhecida pela atuação como marcadora, figura essencial nas coreografias.
Sua presença era referência nos festivais juninos e nas ações culturais ligadas às comunidades de quadrilha.
A trajetória dela também incluía participação ativa em festas populares, defesa da representatividade e protagonismo artístico, em março, recebeu o título de rainha trans do Carnaval da Família.
“Ela era, sem dúvida, uma pessoa maravilhosa, daquelas que trazem luz e alegria por onde passam. Sempre amou essa quadrilha como se não houvesse amanhã, dando tudo de si, dedicando seu tempo, sua paixão e seu esforço para fazer da Pega-Pega não apenas uma quadrilha, mas uma verdadeira família”, destacou a quadrilha em nota.
A despedida mobilizou quadrilheiros, artistas e instituições culturais do Acre. A Fundação Elias Mansour (FEM) lamentou a perda, ressaltando o legado deixado pela artista e sua contribuição para os arraiais acreanos.
Primeira vacina nacional contra dengue é aprovada pela Anvisa
Em meio ao aumento de casos, o país avançou no enfrentamento à doença. A Anvisa aprovou, no dia 26 de novembro, a Butantan-DV, primeira vacina contra a dengue totalmente desenvolvida no Brasil e a única no mundo aplicada em dose única. O imunizante é indicado para pessoas de 12 a 59 anos.
Os estudos apontaram 74,7% de eficácia contra casos sintomáticos e mais de 90% de proteção contra quadros graves.
A análise se baseou nos sorotipos DENV-1 e DENV-2, que predominaram durante o período de pesquisa, mas a resposta imunológica aos demais sorotipos também foi considerada robusta.

O Instituto Butantan já produziu um milhão de doses e trabalha para expandir a fabricação, com meta de entregar dezenas de milhões até 2026.
A possível inclusão da vacina no Programa Nacional de Imunizações (PNI) ainda será discutida pelo Ministério da Saúde.