Falta d’água tem responsável e o culpado da vez é a turbidez do rio Acre, diz órgão responsável pelo serviço na capital

Redação Portal Norte

A Prefeitura de Rio Branco, por meio do Serviço de Água e Esgoto (Saerb), divulgou uma nota informando que a captação de água do Rio Acre vem enfrentando um dos períodos mais críticos dos últimos anos.

As chuvas intensas do início do inverno amazônico elevaram significativamente a turbidez do rio e aumentaram a presença de balseiros, comprometendo o abastecimento na capital.

Segundo o Saerb, desde 11 de outubro a água captada apresenta níveis muito acima do normal. Em condições adequadas, quando a turbidez fica abaixo de 800 NTU, as Estações de Tratamento (ETAs) I e II conseguem produzir 1.600 litros por segundo. Porém, a realidade atual está distante desse cenário.

A autarquia informou que, no dia 14 de novembro, o índice chegou a 3.850 NTU, considerado o pior valor desde 2022.

“Estamos enfrentando uma situação completamente fora do padrão para esta época do ano”, destacou a direção do Saerb, explicando que a elevada quantidade de partículas em suspensão dificulta o processo de tratamento e exige redução imediata na produção para garantir a potabilidade da água.

Com isso, a produção teve de ser ajustada em diversos momentos. Nos últimos 40 dias, houve redução de 20% em 18 deles, passando a 1.280 litros por segundo. Em dias mais críticos, o corte chegou a 30%.

A Prefeitura afirma que outubro registrou 11 dias seguidos com turbidez acima de 1.000 NTU, e novembro já contabiliza uma semana de índices superiores a 1.320 NTU. Além disso, a recorrência de balseiros desde outubro tem agravado o cenário.

“São volumes históricos e sem precedentes de balseiros, o que dificulta ainda mais a captação”, informou o órgão.

Como consequência, a distribuição de água tem sofrido intermitências e rodízios mais frequentes. A gestão municipal reforça que não se trata de falha operacional, mas de um evento natural severo e atípico.

Mesmo assim, garante que as equipes seguem atuando diariamente para evitar interrupções prolongadas. Atualmente, a produção é de 1.405 litros por segundo, cerca de 87,8% da capacidade total.

“Não podemos aumentar a vazão enquanto a turbidez estiver tão alta, pois isso colocaria em risco a qualidade da água entregue à população”, explicou o Saerb. O monitoramento do sistema é contínuo e, caso as condições do rio melhorem, a produção será ampliada imediatamente.

A Prefeitura finalizou a nota agradecendo o entendimento dos moradores. “Pedimos a compreensão da população e reafirmamos nosso compromisso com a transparência e a segurança do abastecimento”, concluiu.