O Censo 2022 identificou 366 crianças e adolescentes entre 10 e 14 anos vivendo em união conjugal no Acre, segundo dados divulgados nesta quarta-feira (5) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
O número representa 0,11% das uniões no estado, uma das menores proporções do país, embora o tema ainda preocupe por envolver pessoas abaixo da idade legal para o casamento.
No Brasil, o levantamento contabilizou mais de 34 mil pessoas nessa faixa etária vivendo em união conjugal, das quais quase oito em cada dez são meninas.
O Acre aparece entre os estados com menor incidência proporcional, atrás de regiões como Amazonas, Alagoas e Roraima, que apresentam taxas mais elevadas e à frente de Tocantins, Amapá, Roraima e Distrito Federal.
O IBGE ressalta que os dados são baseados nas declarações dos próprios moradores, sem exigência de comprovação documental, e não configuram reconhecimento legal das uniões.
Pela legislação brasileira, casamentos civis com menores de 16 anos são proibidos, exceto em casos excepcionais autorizados pela Justiça.
Mesmo com os números baixos em relação a outros estados, o resultado reforça a importância do debate sobre uniões precoces e vulnerabilidade social no Acre.
Situações como essas estão frequentemente associadas à evasão escolar, à gravidez precoce e à violação de direitos de crianças e adolescentes.
Em todo o país, o IBGE destaca que o Censo busca retratar a realidade social e cultural das famílias brasileiras, ainda que ela inclua situações fora da legalidade, servindo de base para políticas públicas que garantam proteção e oportunidades para jovens em contextos de vulnerabilidade.