Rio Branco se prepara para possível sexta cheia consecutiva com influência do La Niña

Redação Portal Norte

Em março deste ano, cerca de 30 mil pessoas foram afetadas pelas cheias do rio Acre, e a capital Rio Branco pode enfrentar, nos próximos meses, a sexta cheia consecutiva.

Um fator que deve influenciar o volume de chuvas é o fenômeno La Niña, que provoca o resfriamento das águas do Oceano Pacífico e tende a aumentar a precipitação na região amazônica.

O alerta foi feito pelo coordenador da Defesa Civil Municipal, Tenente Coronel Claudio Falcão, que explicou o impacto do fenômeno no regime de chuvas.

Coordenador da Defesa Civil Municipal, Tenente Coronel Claudio Falcão – Foto: TV Norte

“Estamos sob influência do La Niña, e o que acontece com a chegada desse fenômeno? A taxa de chuva tende a aumentar. Mas ele está atuando nesse momento de forma muito fraca, então não significa dizer que nós vamos ter chuva acima da média”, afirmou.

De acordo com o representante, a próxima reunião técnica da Defesa Civil, prevista para novembro, reunirá órgãos de monitoramento das cheias e deve apresentar modelos climáticos capazes de fornecer um panorama mais preciso sobre o período chuvoso e a possível elevação do nível do manancial na capital.

“Já estamos executando os planos de contingência, mobilizando as questões de abrigos, monitorando os bairros que são os primeiros afetados e as famílias também, para agir ao menor sinal de necessidade. Vamos aguardar um pouquinho mais para ver como esse fenômeno deve se comportar. Possibilidade de ter uma próxima enchente existe, mas a previsão é que ocorra em fevereiro ou março”, complementou o coordenador.

Defesa Civil alerta para aumento da chuva e reforça planos de contingência para bairros de risco – Foto: TV Norte

A Defesa Civil reforça a importância de a população acompanhar boletins meteorológicos e manter atenção às orientações das autoridades, principalmente nos bairros mais vulneráveis às cheias do rio Acre.

Para João Quaresma, morador do bairro 6 de Agosto, a rotina de deixar sua casa devido esta situação já se tornou comum, mas ele teme que fenômenos como o La Niña possam provocar um nível histórico do aumento das águas, semelhante ao registrado em 2015, quando sua residência quase foi completamente tomada.

João Quaresma, morador do bairro 6 de Agosto – Foto: TV Norte

“Todos os anos a água invade tudo, mesmo que não seja em grande quantidade chega aqui na rua. Antes isso acontecia a cada quatro anos, mas agora é praticamente todo ano. Minha casa é bastante alta, mas em 2015 a água quase alcançou em cima. Cheguei a dormir com a canoa dentro de casa e amarrar a rede, porque tinha medo de que o pouco que o rio não tinha levado fosse roubado”, relatou.