Ação sobre cuidados paliativos é realizada no Acre para ampliar conscientização sobre o tema

Redação Portal Norte

Em referência ao Mês Mundial dos Cuidados Paliativos, o governo do Acre, por meio da Secretaria de Estado de Saúde (Sesacre), realizou na manhã de sexta-feira (17) uma ação educativa no hall da Unidade de Alta Complexidade em Oncologia (Unacon), localizada na Fundação Hospitalar Governador Flaviano Melo, em Rio Branco.

O evento teve como tema “Alcançar a Promessa: Acesso Universal aos Cuidados Paliativos” e teve o objetivo de sensibilizar profissionais da saúde, gestores e pacientes sobre a relevância dessa política pública, que busca garantir dignidade, conforto e qualidade de vida a pessoas que enfrentam doenças crônicas e sem possibilidade de cura.

Durante o encontro, foram abordadas estratégias para fortalecer o atendimento multiprofissional e humanizado, além de discutir a ampliação do acesso ao serviço no estado.

Iniciativa reforça a importância do atendimento humanizado e da qualidade de vida para pacientes com doenças crônicas e incuráveis – Foto: TV Norte

Médicos, enfermeiros, nutricionistas, fisioterapeutas e outros profissionais participaram da atividade, que também destacou o papel das equipes domiciliares no acompanhamento contínuo dos pacientes.

Para a médica da Unacon, Dra. Holda Filha, os cuidados paliativos na unidade são atualmente voltados apenas para pacientes oncológicos, mas a perspectiva é de expansão com a implementação de uma iniciativa inédita.

Médica da Unacon, Dra. Holda Filha – Foto: TV Norte

“A chegada da Política Nacional de Cuidados Paliativos (PNCP) permitirá a ampliação desse atendimento para todas as áreas da medicina em todo o Brasil. A atuação não se dispõe de um tratamento convencional, mas de uma filosofia de atenção centrada no acolhimento. Nossa equipe oferece suporte integral aos pacientes e suas famílias, inclusive nos momentos de luto, mantendo vínculos de cuidado que se estendem além da internação hospitalar”, disse.

De acordo com a gestão estadual, a ação também reforçou a necessidade de combater o estigma de que o atendimento se restringe à fase final da vida, destacando que ele é essencial em qualquer estágio de doenças graves e prolongadas.

Conforme informado, a Sesacre tem trabalhado na expansão dessa política em diferentes unidades de saúde e no fortalecimento da rede de apoio às famílias.

A atividade marcou mais um passo na consolidação dos cuidados paliativos como componente essencial da atenção integral em saúde no Acre.

“Elas são pessoas maravilhosas e também me acompanham em casa. Quando preciso ir às consultas, sempre recebo apoio. Tive dois cânceres, fui curada, mas agora estou lidando com uma complicação que está cicatrizando, e a equipe sempre me deu todo o cuidado necessário. A doutora me acolheu muito bem, me ajuda em tudo que preciso, e sempre que ligo, ela está disponível para me atender”, afirmou a paciente Raimunda Veríssimo.

Paciente, Raimunda Veríssimo – Foto: TV Norte

Cuidados paliativos: conforto, dignidade e qualidade de vida para pacientes com doenças graves

Os cuidados paliativos são uma abordagem de atenção integral voltada para pessoas com doenças crônicas, graves ou sem possibilidade de cura.

O foco principal é aliviar o sofrimento, controlar sintomas físicos e oferecer suporte emocional, social e espiritual tanto ao paciente quanto à família.

Essa prática não tem como objetivo acelerar ou adiar a morte, mas sim garantir qualidade de vida, autonomia e dignidade em todas as fases da doença, podendo ser aplicada desde o diagnóstico até o acompanhamento final.

Para a presidente da Fundhacre, Soron Steiner, é fundamental expandir os cuidados paliativos em todo o Acre, oferecendo acompanhamento domiciliar e promovendo a integração entre atenção básica e hospitalar.

Presidente da Fundhacre, Soron Steiner – Foto: TV Norte

“O objetivo é conscientizar a população. Muitas vezes, ao receber a notícia de que um familiar está em cuidados paliativos, a família não entende plenamente o que isso significa e lida com a informação de forma dolorosa. Queremos mostrar que não se trata necessariamente do fim da vida, mas de garantir qualidade, conforto, controle da dor e acompanhamento especializado pelo tempo que restar, assim como todos nós, que não sabemos o que o amanhã nos reserva”, explicou.