Poucos dias após uma briga generalizada entre os vereadores Denis Araújo e Maycon Moreira, para “restaurar a paz” no plenário da Câmara Municipal de Sena Madureira, no interior do Acre, o humorista Raynery Cunha realizou uma “bênção” simbólica, em tom de sátira e crítica bem-humorada.
Raynery, conhecido nas redes sociais por seu conteúdo cômico voltado à política e costumes regionais, percorreu o plenário vestido com trajes nas cores branco e vermelho, típicos de pai de santo, segurando objetos religiosos em uma performance que rapidamente viralizou.
“Olha, depois dos últimos acontecimentos aqui na câmara, o pai Raynery resolveu vir aqui benzer essa casa, que é para a paz reinar aqui nesse lugar”, declarou em vídeo publicado em seu perfil.
A encenação faz referência direta ao episódio ocorrido na semana anterior, quando uma sessão ordinária terminou em agressões físicas, com vereadores trocando socos e empurrões durante um acalorado debate na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ).
A discussão teria sido motivada por divergências políticas e desentendimentos sobre a tramitação de um projeto de lei.
Repercussão nacional
O confronto entre os parlamentares ganhou destaque na imprensa nacional, colocando Sena Madureira sob os holofotes por razões pouco lisonjeiras.
Diante da tensão instalada no ambiente político local, a ação de Raynery trouxe um espirito cômico e provocativo, abrindo espaço para reflexões sobre o decoro e o papel dos legisladores municipais.
Instituição religiosa critica vídeo e pede retratação pública
Após a repercussão do vídeo nas redes sociais, a Tenda de Umbanda Mãe Maria, localizada em Sena Madureira, divulgou uma nota de repúdio na terça-feira (14) contra o humorista.
No texto, a instituição religiosa afirma que a encenação foi “desrespeitosa e ofensiva às religiões de matriz africana”, ao retratar de forma caricata símbolos e práticas sagradas.
Para a Tenda de Umbanda, a fé não deve ser motivo de piada, pois representa espiritualidade, caridade e amor, valores que precisam ser respeitados.
O comunicado também destaca que atitudes como essa reforçam estigmas e alimentam a intolerância religiosa.
A casa espiritual cita a Constituição Federal e a Lei nº 7.716/1989, que considera crime qualquer ato de discriminação motivado por religião, reafirmando o compromisso com a liberdade religiosa e o respeito entre diferentes crenças.
Ainda foi solicitado que Raynery venha a se retratar publicamente, afirmando que acredita no diálogo e na consciência como formas de reparação.
No entanto, caso não haja manifestação por parte do humorista, a instituição afirma que poderá adotar medidas legais para garantir o respeito à sua fé.
Nesta quarta-feira (15), o humorista afirmou em suas redes sociais não ter citado nenhuma religião especificamente e muito menos ter zombado de alguém ou alguma coisa. Conforme ele, o momento foi feito para mostrar o quanto é perigoso confusões como a que ocorreu com os vereadores.