O Acre deve enfrentar um período de chuvas mais intensas nos próximos meses, segundo previsões meteorológicas. De acordo com o Centro Gestor e Operacional do Sistema de Proteção da Amazônia (Censipam), a transição entre a estação seca e a chuvosa no estado será marcada por pancadas de chuva mais frequentes, especialmente no sudoeste da Amazônia.
O fenômeno La Niña, previsto para se instalar a partir de setembro, é apontado como um dos fatores que devem contribuir para esse cenário.
As condições do oceano Pacífico Equatorial permanecem dentro da normalidade, mas os modelos indicam que águas mais aquecidas no Atlântico Norte poderão alterar a posição da Zona de Convergência Intertropical (ZCIT).
Essa configuração tende a favorecer o aumento das chuvas em áreas específicas, como no Acre, sudoeste do Amazonas, oeste e sul de Rondônia, além do sudoeste do Mato Grosso.
Já no restante da Região Norte, os efeitos da possível La Niña devem ser sentidos de maneira desigual. O prognóstico climático para o trimestre de setembro a novembro aponta chuvas abaixo da média no Amapá e no norte do Pará e Maranhão.
Essa distribuição irregular reforça a influência complexa do fenômeno sobre o território amazônico, onde algumas áreas podem enfrentar excesso de água, enquanto outras permanecem em déficit.
De acordo com a Administração Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA), há 56% de chance de que a La Niña se forme durante a primavera no Hemisfério Sul, entre 22 de setembro e 21 de dezembro.
O fenômeno é caracterizado pela alteração da circulação atmosférica tropical, afetando ventos, pressão e chuvas, com tendência de temperaturas mais baixas.
Para a Amazônia, esse quadro pode resultar no aumento do volume dos rios, trazendo riscos de alagamentos em comunidades ribeirinhas.
Previsão de chuvas
O Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) emitiu um alerta de perigo potencial para chuvas intensas em todos os municípios do Acre e na maior parte dos estados do Norte, válido até às 10h do sábado (27).
O aviso prevê precipitações entre 20 e 30mm por hora, podendo chegar a 50mm por dia, acompanhadas de ventos fortes, com rajadas entre 40 e 60 km/h. Há risco baixo para cortes de energia, queda de galhos, alagamentos pontuais e descargas elétricas.